Não é fácil chegar a Vênus. Isso pode parecer contra-intuitivo, mas é preciso mais energia para chegar a Vênus do que a Marte.
Veja isto. O combustível gasto para sair da Terra é o mesmo. É preciso gastar a mesma quantidade de energia para deixar a Terra mas, para atingir uma órbita estável, é preciso muito mais combustível. Isso acontece porque uma nave vai ganhar energia enquanto viaja para Vênus, enquanto vai perdê-la indo para Marte. Vênus fica mais perto do Sol, então a nave ganha energia cinética que precisa perder antes de entrar em órbita, exigindo mais combustível, o que significa um foguete maior.
E este é só o primeiro problema.
(Venus Express)
O segundo problema são as condições em torno de Vênus. Vênus é um ambiente difícil, mesmo em órbita. Por estar muito mais perto do Sol, recebe uma quantidade intensa de radiação. E Vênus em si pode se orgulhar de ter a temperatura superficial mais alta do sistema solar, excluindo o Sol. Isso significa que Vênus emite radiação de calor (infravermelho) da ordem de 470°C. Isso é importante porque a nave inteira precisa ser bem isolada e capaz de se livrar do excesso de calor. Os circuitos eletrônicos não funcionam bem em tais ambientes, eles precisam ser resfriados. Marte, por outro lado, é perfeito sob esse aspecto; é bem mais fácil isolar os componentes eletrônicos e eles funcionam perfeitamente bem a -35°C.
O pouso em Vênus é ainda mais difícil. A nave precisa estar equipada com um escudo de calor mais forte e pesado e, como a pressão na superfície de Vênus é de 90 bar (90 vezes superior à pressão na superfície da Terra, ou a pressão a 900 metros de profundidade no mar); a nave precisaria ser fortemente reforçada. O uso de energia solar na superfície não é uma opção e chove ácido sulfúrico. São condições nada atraentes para qualquer tecnologia humana. Os soviéticos conseguira pousar uma sonda em Vênus e ela funcionou durante 90 minutos.
Sendo realista, a pesquisa de Vênus precisaria ser feita a partir de uma nave em órbita, usando um radar de abertura sintética para ver algo porque instrumentos óticos normais não funcionam graças a uma combinação de nuvens espessas e radiação infravermelha.
Por último, as agências espaciais trabalham com orçamentos apertados e Marte é mais fácil de alcançar, mais fácil de trabalhar lá e é mais interessante no momento.
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