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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Como era o universo antes do Big Bang?

 

 O Big Bang é a nossa visão tradicional da origem do universo

PERGUNTA DO LEITOR: "Meu entendimento é que nada vem do nada. Para que algo exista, deve haver material ou um componente disponível, e para que eles estejam disponíveis, deve haver algo mais disponível. Agora minha pergunta: de onde veio a matéria que criou o Big Bang, e o que aconteceu, inicialmente, para criar esse material?" - Peter, 80 anos, Austrália. 

Línea

"A última estrela irá esfriar lentamente e desaparecer. Com isso, o universo se tornará mais uma vez um vazio, sem luz, vida ou significado." Assim alertou o físico Brian Cox na recente série Universe, da BBC. O desaparecimento da última estrela será apenas o início de uma época infinitamente longa e escura. Toda a matéria será eventualmente consumida por buracos negros monstruosos, que por sua vez irão evaporar nos mais tênues lampejos de luz. 

O espaço se expandirá cada vez mais para fora até que mesmo aquela luz fraca se torne muito espalhada para interagir. A atividade cessará. Ou não? Estranhamente, alguns cosmólogos acreditam que um universo anterior, frio, escuro e vazio, como aquele que está em nosso futuro distante, poderia ter sido a fonte de nosso próprio Big Bang. 

A primeira matéria

Mas antes de chegarmos a isso, vamos dar uma olhada em como "material" - matéria física - surgiu pela primeira vez. 

Se pretendemos explicar as origens da matéria estável feita de átomos ou moléculas, certamente não havia nada disso por volta do Big Bang - nem por centenas de milhares de anos depois. Na verdade, temos uma compreensão bastante detalhada de como os primeiros átomos se formaram a partir de partículas mais simples, uma vez que as condições esfriaram o suficiente para que a matéria complexa se tornasse estável, e como esses átomos foram posteriormente fundidos em elementos mais pesados ​​dentro das estrelas. Mas esse entendimento não aborda a questão de saber se algo veio do nada. 

Então, vamos pensar um pouco mais para trás. As primeiras partículas de matéria de vida longa de qualquer tipo foram prótons e nêutrons, que juntos formam o núcleo atômico. Eles surgiram por volta de um décimo de milésimo de segundo após o Big Bang. 

Antes desse ponto, não havia realmente nenhum material em qualquer sentido familiar da palavra. Mas a física nos permite seguir rastreando a linha do tempo para trás - para processos físicos que antecedem qualquer matéria estável. 

Isso nos leva à chamada "era da grande unificação". Agora, estamos bem no reino da física especulativa, pois não podemos produzir energia suficiente em nossos experimentos para sondar o tipo de processo que estava acontecendo na época. 

Mas uma hipótese plausível é que o mundo físico era feito de uma sopa de partículas elementares de vida curta - incluindo quarks, os blocos de construção de prótons e nêutrons. 

Havia matéria e "antimatéria" em quantidades aproximadamente iguais: cada tipo de partícula de matéria, como o quark, tem um companheiro "imagem espelhada" de antimatéria, que é quase idêntico a si mesmo, diferindo apenas em um aspecto. No entanto, matéria e antimatéria se aniquilam em um lampejo de energia quando se encontram, o que significa que essas partículas foram constantemente criadas e destruídas. 

Mas como essas partículas passaram a existir em primeiro lugar? A teoria quântica de campos nos diz que mesmo um vácuo, supostamente correspondendo ao espaço-tempo vazio, está cheio de atividade física na forma de flutuações de energia. 

Essas flutuações podem dar origem ao surgimento de partículas, que desaparecem logo em seguida. Isso pode soar mais como uma peculiaridade matemática do que como física real, mas tais partículas foram detectadas em incontáveis ​​experimentos. 

O estado de vácuo do espaço-tempo está fervilhando com partículas sendo constantemente criadas e destruídas, aparentemente "do nada". Mas talvez tudo isso realmente nos diga que o vácuo quântico é (apesar do nome) alguma coisa em vez de nada. O filósofo David Albert criticou de forma memorável os relatos do Big Bang que prometem obter algo do nada dessa forma. 

Suponha que perguntemos: de onde surgiu o próprio espaço-tempo? Então, podemos continuar girando o relógio ainda mais para trás, na verdadeiramente antiga "Era de Planck" - um período tão antigo na história do universo que nossas melhores teorias da física entram em colapso. 

Essa era ocorreu apenas um décimo milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang. Nesse ponto, o próprio espaço e o tempo ficaram sujeitos às flutuações quânticas. 

Os físicos normalmente trabalham separadamente com a mecânica quântica, que rege o micromundo das partículas, e com a relatividade geral, que se aplica a grandes escalas cósmicas. Mas para compreender verdadeiramente a Era de Planck, precisamos de uma teoria completa da gravidade quântica, fundindo as duas. 

Ainda não temos uma teoria perfeita da gravidade quântica, mas existem tentativas - como a teoria das cordas e a gravidade quântica em loop. Nessas tentativas, o espaço e o tempo comuns são tipicamente vistos como emergentes, como as ondas na superfície de um oceano profundo. 

O que experimentamos como espaço e tempo é o produto de processos quânticos operando em um nível microscópico mais profundo - processos que não fazem muito sentido para nós como criaturas enraizadas no mundo macroscópico. 

Na Era de Planck, nosso entendimento comum de espaço e tempo se desintegra, então não podemos mais confiar em nosso entendimento comum de causa e efeito também. Apesar disso, todas as candidatas a teoria da gravidade quântica descrevem algo físico que estava acontecendo na Era de Planck - algum precursor quântico do espaço e tempo. Mas de onde veio isso? 

Mesmo que a causalidade não se aplique mais de forma comum, ainda pode ser possível explicar um componente do universo da Era de Planck em termos de outro. Infelizmente, até agora mesmo nossa melhor física falha completamente em fornecer respostas. 

Enquanto não progredirmos em direção a uma "teoria de tudo", não seremos capazes de dar uma resposta definitiva. O máximo que podemos dizer com segurança neste estágio é que a física até agora não encontrou exemplos confirmados de algo surgindo do nada. 

Ciclos de quase nada

Para responder verdadeiramente à questão de como algo pode surgir do nada, precisaríamos explicar o estado quântico de todo o universo no início da Era de Planck. Todas as tentativas de fazer isso permanecem altamente especulativas. 

Alguns deles apelam a forças sobrenaturais como um designer. Mas outras explicações candidatas permanecem dentro do reino da física - como um multiverso, que contém um número infinito de universos paralelos, ou modelos cíclicos do universo, nascendo e renascendo novamente. 

O físico Roger Penrose, ganhador do Prêmio Nobel de 2020, propôs um modelo intrigante, mas controverso, para um universo cíclico denominado "cosmologia cíclica conformada". 

Penrose foi inspirado por uma conexão matemática interessante entre um estado muito quente, denso e pequeno do universo - como era no Big Bang - e um estado extremamente frio, vazio e expandido do universo - como será em um futuro distante. 

Sua teoria radical para explicar essa correspondência é que esses estados se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Por mais paradoxal que pareça, uma ausência total de matéria pode ter conseguido dar origem a toda a matéria que vemos ao nosso redor em nosso universo. 

Nessa visão, o Big Bang surge de um quase nada. É o que sobrou quando toda a matéria em um universo foi consumida em buracos negros, que por sua vez se transformaram em fótons - perdidos em um vazio. Todo o universo, portanto, surge de algo que - visto de outra perspectiva física - é o mais próximo que se pode chegar de nada. Mas esse nada ainda é um tipo de coisa. Ainda é um universo físico, embora vazio. 

Como pode o mesmo estado ser um universo frio e vazio de uma perspectiva e um universo quente e denso de outra? A resposta está em um procedimento matemático complexo denominado "reescalonamento conformado", uma transformação geométrica que na verdade altera o tamanho de um objeto, mas deixa sua forma inalterada. 

Penrose mostrou como o estado denso frio e o estado denso quente podem ser relacionados por tal reescalonamento, de modo que eles correspondam com respeito às formas de seus espaços-tempos - embora não com seus tamanhos. 

É, reconhecidamente, difícil entender como dois objetos podem ser idênticos desta forma quando têm tamanhos diferentes - mas Penrose argumenta que o tamanho é um conceito que deixa de fazer sentido em tais ambientes físicos extremos. 

Na cosmologia cíclica conformada, a direção da explicação vai do velho e frio para o jovem e quente: o estado quente denso existe por causa do estado frio e vazio. Mas esse "por causa" não é o familiar - de uma causa seguida no tempo por seu efeito. Não é apenas o tamanho que deixa de ser relevante nesses estados extremos: o tempo também. 

O estado denso frio e o estado denso quente estão, na verdade, localizados em linhas do tempo diferentes. O estado frio e vazio continuaria para sempre da perspectiva de um observador em sua própria geometria temporal, mas o estado quente denso que dá origem efetivamente habita uma nova linha do tempo própria. 

Pode ajudar a entender o estado quente denso como produzido a partir do estado frio e vazio de alguma forma não causal. Talvez devêssemos dizer que o estado quente denso emerge do estado frio, ou está alicerçado nele, ou é realizado pelo estado vazio e frio. 

Essas são ideias distintamente metafísicas que foram exploradas extensivamente pelos filósofos da ciência, especialmente no contexto da gravidade quântica, onde a causa e o efeito comuns parecem se desfazer. Nos limites do nosso conhecimento, a física e a filosofia tornam-se difíceis de separar. 

Evidência experimental?

A cosmologia cíclica conformada oferece algumas respostas detalhadas, embora especulativas, à questão de onde veio nosso Big Bang. Mas mesmo que a visão de Penrose seja justificada pelo futuro progresso da cosmologia, podemos pensar que ainda não teríamos respondido a uma questão filosófica mais profunda - uma questão sobre de onde veio a própria realidade física. 

Como surgiu todo o sistema de ciclos? Então, finalmente terminamos com a pura questão de por que existe algo em vez de nada - uma das maiores questões da metafísica.  Mas nosso foco aqui está nas explicações que permanecem dentro do reino da física. Existem três opções amplas para a questão mais profunda de como os ciclos começaram. Poderia não ter explicação física alguma. 

Ou pode haver ciclos que se repetem infinitamente, cada um sendo um universo por si só, com o estado quântico inicial de cada universo explicado por alguma característica do universo anterior. Ou pode haver um único ciclo e um único universo repetido, com o início desse ciclo explicado por alguma característica de seu próprio fim. 

As duas últimas abordagens evitam a necessidade de quaisquer eventos não causados ​​- e isso lhes dá um apelo distinto. Nada seria deixado sem explicação pela física. 

Para Penrose, cada ciclo envolve eventos quânticos aleatórios que ocorrem de uma maneira diferente - o que significa que cada ciclo será diferente dos anteriores e posteriores. Na verdade, essa é uma boa notícia para os físicos experimentais, porque pode nos permitir vislumbrar o antigo universo que deu origem ao nosso através de traços tênues, ou anomalias, na radiação residual do Big Bang vista pelo satélite Planck. 

Penrose e seus colaboradores acreditam que já podem ter detectado esses traços, atribuindo padrões nos dados do Planck à radiação de buracos negros supermassivos no universo anterior. No entanto, suas alegadas observações foram contestadas por outros físicos e o júri permanece fora. 

Novos ciclos infinitos são a chave para a própria visão de Penrose. Mas existe uma maneira natural de converter a cosmologia cíclica conformada de um ciclo múltiplo para um ciclo único. Então a realidade física consiste em um único ciclo a partir do Big Bang até um estado máximo de vazio no futuro distante - e então retorna novamente até o mesmo Big Bang, dando origem ao mesmo universo novamente. 

Esta última possibilidade é consistente com outra interpretação da mecânica quântica, apelidada de interpretação de muitos mundos. 

A interpretação de muitos mundos nos diz que cada vez que medimos um sistema que está em superposição, essa medição não seleciona um estado aleatoriamente. Em vez disso, o resultado da medição que vemos é apenas uma possibilidade - aquela que ocorre em nosso próprio universo.

 Todos os outros resultados de medição atuam em outros universos em um multiverso, efetivamente separados do nosso. Portanto, não importa quão pequena seja a chance de algo ocorrer, se tiver uma chance diferente de zero, então ocorre em algum mundo quântico paralelo. 

Existem pessoas como você em outros mundos que ganharam na loteria, ou foram arrastadas para as nuvens por um tufão anormal, ou se incendiaram espontaneamente, ou fizeram as três coisas ao mesmo tempo. Algumas pessoas acreditam que esses universos paralelos também podem ser observáveis ​​em dados cosmológicos, como impressões causadas por outro universo colidindo com o nosso. 

A teoria quântica de muitos mundos oferece uma nova reviravolta na cosmologia cíclica conformada, embora Penrose não concorde com ela. Nosso Big Bang pode ser o renascimento de um único multiverso quântico, contendo infinitos universos diferentes, todos ocorrendo juntos. Tudo o que é possível acontece - então, acontece de novo, de novo e de novo. 

Um mito antigo

Para um filósofo da ciência, a visão de Penrose é fascinante. Ele abre novas possibilidades para explicar o Big Bang, levando nossas explicações além de causa e efeito comuns. É, portanto, um grande caso de teste para explorar as diferentes maneiras pelas quais a física pode explicar nosso mundo. Ele merece mais atenção dos filósofos. 

Para um amante de mitos, a visão de Penrose é bela. Na forma multi-ciclo preferida de Penrose, ele promete novos mundos infinitos nascidos das cinzas de seus ancestrais. Em sua forma de um ciclo, é uma notável re-invocação moderna da antiga ideia do ouroboros, ou serpente-do-mundo. 

Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr é filha de Loki, um malandro astuto, e do gigante Angrboda. Jörmungandr consome sua própria cauda, ​​e o círculo criado sustenta o equilíbrio do mundo. Mas o mito do ouroboros foi documentado em todo o mundo - inclusive desde o antigo Egito. 

O ouroboros de um universo cíclico é realmente majestoso. Ele contém dentro de sua barriga nosso próprio universo, bem como cada um dos estranhos e maravilhosos universos alternativos possíveis permitidos pela física quântica - e no ponto onde sua cabeça encontra sua cauda, ​​está completamente vazio, mas também fluindo com energia em temperaturas de cem mil milhões de bilhões de trilhões de graus Celsius. Até Loki, o metamorfo, ficaria impressionado. 

*Alastair Wilson é professor de Filosofia na Universidade de Birmingham (Reino Unido)

Fonte: bbc.com

Novas imagens do Hubble indicam que Via Láctea pode ter braços “cheios e cortados”

 

 Braços da Via Láctea podem não ser consistentes e contínuos, mas sim divididos e partidos em algumas seções (Imagem: STScI/Reprodução)

O Hubble pode estar no fim de sua missão, mas ele ainda faz descobertas que nos fazem dizer “ué” e revisar conhecimentos já estabelecidos: segundo imagens do telescópio, existe a possibilidade de que a Via Láctea tenha braços mais cheios em volume, e cortados em algumas seções, conforme aponta novo estudo. 

A premissa desafia um conceito já bem antigo, de que a nossa casa no espaço é uma espiral com braços contínuos, sem interrupção. Entretanto, astrônomos analisaram informações do Hubble referentes ao Braço de Perseu e perceberam algumas inconsistências com esse consenso. 

Medir distâncias e estabelecer um formato para a Via Láctea é relativamente complicado pois, bem, estamos dentro dela – é meio difícil saber a aparência da nossa casa do lado de fora sem sair dela, convenhamos. Entretanto, esse tipo de estudo é importante para o mapeamento galáctico. 

Para contornar essa limitação, cientistas aplicam diversos métodos: eles podem usar masers, fontes naturais de ondas de rádio que ocorrem em regiões onde grandes estrelas se formam. O problema é que os masers não estão disponíveis em muita abundância. 

O movimento das nuvens gasosas do espaço é outro método prático, mas também não é muito preciso devido à aleatoriedade desse movimento. Aqui, os cálculos são feitos com base em informações não muito consistentes. 

O novo estudo, porém, levou em consideração o segundo método, mas analisando a poeira cósmica – ela sempre está presente onde há nuvens de gás. Com isso, os cientistas buscaram gerar um mapa tridimensional ao observar as cores dos grupos de estrelas no céu. Aquelas com mais poeira ao redor são mais avermelhadas. 

No Braço de Perseu, os cientistas notaram que as nuvens não permanecem a uma distância de 6 mil anos-luz – a distância da região até nós -, mas sim se movimentam para uma distância de 10 mil anos-luz. 

“Isso indica uma boa possibilidade do disco externo da Via Láctea ser parecido com o da galáxia Messier 83, com braços mais curtos, cheios e cortados”, disse Josh Peek, astrônomos associado ao Instituto do Telescópio Espacial (STScI), em um comunicado. 

Os cientistas agora querem usar esse mapeamento 3D para estudar mais adentro da nossa galáxia também, a fim de determinar o formato da nossa “casa” de forma mais completa, usando tecnologia infravermelha para analisar estrelas com maior concentração de poeira cósmica, e seus respectivos movimentos.

Fonte: Olhar Digital

Queda de brilho rápida



A fonte incomum TIC 400799224 foi localizada acidentalmente por causa de sua rápida queda no brilho, de quase 25% em apenas cerca de quatro horas, seguida por diversas variações de brilho acentuadas que poderiam ser interpretadas como um eclipse. 

Os astrônomos estudaram o TIC 400799224 com uma variedade de instalações, incluindo algumas que mapearam o céu por mais tempo do que o Tess está operando. Eles descobriram que o objeto é provavelmente um sistema estelar binário, e que uma das estrelas pulsa com um período de 19,77 dias, provavelmente por causa de um corpo orbital que emite periodicamente nuvens de poeira que ocultam a estrela. 

No entanto, embora a periodicidade seja regular, as ocultações de poeira da estrela são erráticas em suas formas, profundidades e durações, e são detectáveis ​​(pelo menos do solo) apenas cerca de um terço do tempo ou menos. A própria natureza do corpo orbital é intrigante, porque a quantidade de poeira emitida é grande. Se ela fosse produzida pela desintegração de um objeto como o asteroide Ceres em nosso Sistema Solar, sobreviveria apenas cerca de 8 mil anos antes de desaparecer. Mas, notavelmente, durante os seis anos em que esse objeto tem sido observado, a periodicidade foi a mesma e o objeto emitindo a poeira aparentemente permaneceu intacto. 

A equipe planeja continuar monitorando o objeto e incorporar observações históricas do céu para tentar determinar suas variações ao longo de muitas décad

A impressionante ‘imagem macabra’ captada pelo telescópio Hubble da NASA no espaço

 

Crédito (Reprodução NASA) 

A impressionante ‘imagem macabra’ captada pelo telescópio Hubble da NASA no espaço.O Telescópio Hubble da Agência Espacial Americana (NASA) captou uma imagem de um ‘rosto assustador’ no espaço que se tornou viral nas redes sociais. O registro foi descrito como ‘macabro’. 

Como revelado, um misterioso par de olhos brilha ameaçadoramente em nossa direção. Os penetrantes ‘olhos’ são a característica mais importante do que se assemelha ao rosto de uma criatura de outro mundo. No entanto, mesmo com a forte semelhança, isso não é uma aparição fantasmagórica. O Hubble está olhando para uma colisão titânica frontal entre duas galáxias. 

Cada ‘olho’ é o núcleo brilhante de uma galáxia, uma das quais se chocou contra a outra. O contorno do rosto é um anel de jovens estrelas azuis. Outros aglomerados de novas estrelas formam um nariz e uma boca. 

Embora colisões de galáxias sejam comuns, a maioria delas não é um choque frontal, como a colisão que provavelmente criou esse sistema. O encontro violento dá ao sistema uma estrutura de «anel» de retenção por apenas um ‘curto período de tempo’, cerca de 100 milhões de anos. 

Galáxias em anel são raras, apenas algumas centenas deles residem em nossa grande vizinhança cósmica. As galáxias precisam colidir na orientação correta para criar o anel.  

De acordo com a NASA, a justaposição lado a lado das duas protuberâncias centrais de estrelas de ambas galáxias também é incomum. É evidente que as duas galáxias de proporções quase iguais foram envolvidas no choque, em vez de colisões mais comuns em que pequenas galáxias são devoradas por seus vizinhos maiores. 

O Hubble observou esse sistema único como parte de um programa de «instantâneos» que tira proveito de falhas ocasionais no cronograma de observação do telescópio para extrair imagens adicionais. O objetivo é compilar uma amostra robusta de galáxias que interagem nas proximidades, o que poderia oferecer uma visão de como as galáxias cresceram ao longo do tempo por meio de fusões. 

Ao analisar essas observações detalhadas do Hubble, os astrônomos poderiam então escolher quais sistemas são os principais alvos de acompanhamento com o Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para 2021. 

O arquivo foi compartilhado pela instituição no Twitter no Twitter em 2019 e voltou a circular novamente. Confira o registro: 

Fonte: metroworldnews

Misterioso objeto empoeirado é encontrado orbitando estrela

 


Corpo estranho libera periodicamente nuvens de poeira que encobrem uma das estrelas do provável sistema binário TIC 400799224

Imagem óptica/infravermelha próximo do céu em torno do objeto TIC 400799224 do Catálogo de Entrada do Tess (TIC) (a cruz marca a localização do objeto e a largura do campo de visão é fornecida em minutos de arco). Os astrônomos concluíram que as misteriosas variações periódicas na luz desse objeto são causadas por um corpo orbital que emite periodicamente nuvens de poeira que ocultam a estrela. Crédito: Powell et al., 2021

Lançado em 2018 com o objetivo de descobrir pequenos planetas ao redor das estrelas vizinhas mais próximas do Sol, o Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) descobriu até agora 172 exoplanetas confirmados e compilou uma lista de 4.703 candidatos a exoplanetas. Sua câmera sensível captura imagens que abrangem um enorme campo de visão, mais do que o dobro da área da constelação de Órion. 

O Tess também montou um Catálogo de Entrada Tess (TIC, na sigla em inglês) com mais de 1 bilhão de objetos. Estudos de acompanhamento de objetos TIC descobriram que eles resultam de pulsações estelares, choques de supernovas, planetas em desintegração, estrelas binárias gravitacionais com lentes próprias, sistemas estelares triplos em eclipse, ocultações de disco e muito mais. 

A astrônoma Karen Collins, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), integrou uma grande equipe que descobriu o misterioso objeto variável TIC 400799224. Eles pesquisaram o Catálogo usando ferramentas computacionais baseadas em aprendizado de máquina desenvolvidas a partir dos comportamentos observados de centenas de milhares de objetos variáveis​​conhecidos. O método já havia encontrado planetas em desintegração e corpos que emitem poeira, por exemplo. 

O estudo sobre a descoberta foi publicado em artigo na revista The Astronomical Journal. 

Silhueta da ISS na Lua


 O que é aquilo na Lua? É a Estação Espacial Internacional. Usando tempo preciso, a plataforma espacial em órbita da Terra foi fotografada o mês passado em frente de uma Lua parcialmente iluminada. A composição em destaque, obtida a partir de Payson, no estado norte-americano do Arizona, EUA, foi feita intricadamente com a combinação, em parte, de muitas imagens de 1/2000 de segundo de um vídeo da ISS a cruzar a Lua. Uma inspeção mais íntima desta silhueta excecionalmente nítida da ISS revela os contornos de vários painéis solares e treliças. A brilhante cratera Tycho é visível no canto superior esquerdo, bem como um terreno relativamente acidentado de cor clara conhecido como terras altas, e áreas relativamente planas e de cor escura conhecidas como mares. Existem ferramentas online que nos podem informar quando a Estação Espacial Internacional estará visível a partir de onde vivemos. 

Crédito: Andrew McCarthy

Astrónomos capturam erupção de buraco negro que se estende por 16 Luas Cheias no céu

 

 Centauro A é uma gigante galáxia ativa elíptica a 12 milhões de anos-luz de distância. No seu coração encontra-se um buraco negro com uma massa de 55 milhões de sóis. Esta imagem mostra a galáxia no rádio, revelando vastos lóbulos de plasma que vão muito além da galáxia visível, que ocupa apenas uma pequena mancha no centro da imagem. Os pontos no plano de fundo não são estrelas, mas radiogaláxias muito semelhantes a Centauro A, a distâncias muito maiores. Crédito: Ben McKinley, ICRAR/Curtin e Connor Matherne, Universidade Estatal do Louisiana

Os astrónomos produziram a imagem mais compreensiva da emissão de rádio do buraco negro supermassivo, em alimentação ativa, mais próximo da Terra. A emissão é alimentada por um buraco negro central na galáxia Centauro A, a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância. 

À medida que o buraco negro se alimenta de gás em queda, ejeta material a uma velocidade próxima da luz, fazendo com que "bolhas de rádio" cresçam ao longo de centenas de milhões de anos. Quando vista a partir da Terra, a erupção de Centauro A estende-se agora oito graus no céu - o comprimento de 16 Luas Cheias colocadas lado a lado. 

A imagem foi capturada usando o telescópio MWA (Murchison Widefield Array) no "outback" da Austrália Ocidental. 

A investigação foi publicada na revista Nature Astronomy. 

O autor principal Dr. Benjamin McKinley, do polo da Universidade Curtin do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research), disse que a imagem revela novos detalhes espetaculares da emissão rádio da galáxia. 

"Estas ondas de rádio vêm do material que está a ser sugado para o buraco negro supermassivo no centro da galáxia," disse. 

Centauro A é uma gigante galáxia ativa elíptica a 12 milhões de anos-luz de distância. No seu coração encontra-se um buraco negro com uma massa de 55 milhões de sóis. Esta composição mostra a galáxia e o espaço intergaláctico circundante em vários comprimentos de onda. O plasma, no rádio, é exibido a azul e parece interagir com gás quente, emissor de raios-X (laranja) e com o hidrogénio neutro frio (roxo). As nuvens que emitem H-alpha (vermelho) são também mostradas por cima da parte ótica principal da galáxia que se encontra entre as duas mais brilhantes manchas de rádio. O "fundo" está em comprimentos de onda visíveis, mostrando estrelas na nossa própria Via Láctea que estão, de facto, em primeiro plano. Crédito: Connor Matherne, Universidade Estatal do Louisiana (ótico/H-alpha), Kraft et al. (raios-X), Struve et al. (HI), Ben McKinley, ICRAR/Curtin (rádio)

"Forma um disco à volta do buraco negro e à medida que a matéria é rasgada perto do buraco negro, poderosos jatos formam-se em cada lado do disco, ejetando a maior parte do material de volta para o espaço, para distâncias provavelmente superiores a um milhão de anos-luz. 

"As observações anteriores, no rádio, não conseguiam lidar com o brilho extremo dos jatos e os detalhes da área maior, à volta da galáxia, eram distorcidos, mas a nossa nova imagem ultrapassa estas limitações." 

Centauro A é a radiogaláxia mais próxima da nossa Via Láctea. 

"Podemos aprender muito com Centauro A em particular, só porque está tão perto e podemos vê-la com tanto detalhe," disse o Dr. McKinley. Não apenas no rádio, mas também em todos os comprimentos de onda do espetro eletromagnético. 

"Nesta investigação conseguimos combinar as observações de rádio com dados óticos e de raios-X, para nos ajudar a compreender melhor a física destes buracos negros supermassivos." 

O Dr. Massimo Gaspari, astrofísico do INAF (Instituto Nacional de Astrofísica, Itália), disse que o estudo corroborou uma teoria nova conhecida como CCA (Chaotic Cold Accretion), que está a emergir em diferentes campos. Neste modelo, nuvens de gás frio condensam-se no halo galáctico e 'chovem' sobre as regiões centrais, alimentando o buraco negro supermassivo," disse. 

"Desencadeado por esta chuva, o buraco negro reage vigorosamente, lançando energia através de jatos de rádio que 'insuflam' os lóbulos espetaculares visto na imagem obtida pelo MWA. Este estudo é um dos primeiros a analisar com tanto detalhe o 'clima' CCA multifásico em toda a gama de escalas," concluiu o Dr. Gaspari. 

O Dr. McKinley disse que a galáxia parece mais brilhante no centro, onde é mais ativa e onde há muita energia. Depois é mais fraca à medida que nos afastamos, porque a energia perde-se e as coisas 'assentam'," realça. 

"Mas há características interessantes onde as partículas carregadas reaceleram e estão a interagir com fortes campos magnéticos." 

O professor Steven Tingay, diretor do MWA, disse que a investigação foi possível devido ao campo de visão extremamente amplo do telescópio, à sua excelente localização e à sua excelente sensibilidade. 

"O MWA é um precursor do SKA (Square Kilometre Array) - uma iniciativa global para construir os maiores radiotelescópios do mundo na Austrália Ocidental e na África do Sul," disse. 

"O vasto campo de visão e, como consequência, a extraordinária quantidade de dados que podemos recolher, significa que o potencial de descoberta de cada observação do MWA é muito elevado. Isto proporciona um fantástico passo em direção ao ainda maior SKA."

Fonte: Astronomia OnLine

Cientistas veem em tempo real a explosão de estrela gigante em seus minutos finais

 Astrônomos foram inicialmente alertados de uma atividade estelar incomum 130 dias antes da estrela se tornar uma supernova

Representação artística de estrela supergigante vermelha emitindo uma gases em seu último ano de vida. Isso sugere que pelo menos algumas dessas estrelas passam por mudanças internas significativas antes de se tornarem supernovas.Divulgação/The Astrophysical Journal/Universidade Northwestern

A morte de uma estrela é um dos eventos mais dramáticos e violentos no espaço — e astrônomos assistiram de camarote o final explosivo de uma gigante estelar, algo sem precedentes. Telescópio terrestres forneceram a primeira visão em tempo real da sofrida morte de uma estrela supergigante vermelha. Embora não sejam as estrelas mais brilhantes e massivas, elas são as maiores em termos de volume. 

Uma popular estrela supergigante vermelha é a Betelgeuse, que atraiu interesse devido ao seu escurecimento irregular. Mesmo que já tenha sido previsto que Betelgeuse se torne supernova, ela ainda está por aí. 

No entanto, a estrela central dessa nova pesquisa, localizada na galáxia NGC 5731 a 120 milhões de anos-luz da Terra, tinha 10 vezes mais massa que o sol antes de sua explosão. 

Antes que saiam em toda sua glória, algumas estrelas enfrentam violentas erupções ou liberam camadas de gases quentes e luminosos. Até os astrônomos testemunharem esse evento, eles acreditavam que as supergigantes vermelhas eram relativamente calmas antes de explodirem e se tornarem supernovas ou uma estrela de nêutrons densa em um colapso. 

No entanto, cientistas mudaram de opinião ao assistiram a estrela se destruir sozinha de forma dramática antes de se tornar uma supernova do tipo II. A morte desta estrela é resultado do colapso rápido e explosão violenta de uma enorme estrela após ter queimado o hidrogênio, o hélio e outros elementos em seu núcleo. 

Tudo o que resta é seu ferro, mas o ferro não pode entrar em fusão, então a estrela fica sem energia. Quando isso acontece, o ferro colapsa e ocasiona a supernova. Um estudo detalhando essas descobertas foi publicado na última quinta-feira no The Astrophysical Journal. 

“Esse é um avanço em nosso entendimento do que acontece em estrelas massivas momentos antes de morrerem”, disse o autor principal do estudo, Wynn Jacobson-Galán, bolsista de pesquisa de pós-graduação da National Science Foundation na Universidade da Califórnia, Berkeley, em um comunicado. 

“A detecção direta de atividade pré-supernova em uma estrela supergigante vermelha nunca foi observada antes em uma supernova comum do tipo II. Pela primeira vez, assistimos uma estrela supergigante vermelha explodir.” 

Momentos finais de uma morte estelar

Astrônomos foram inicialmente alertados de uma atividade estelar incomum 130 dias antes de se tornar uma supernova. Radiação brilhante foi detectada no verão de 2020 pelo telescópio Pan-STARRS do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí em Haleakalā, região do Maui. 

Então, no outono daquele ano, os pesquisadores testemunharam a supernova no mesmo local. 

Eles observaram usando o espectrômetro de imagem de baixa resolução do Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, no Havaí, e nomearam a supernova de ‘2020tlf’. Suas anotações revelaram que havia material em torno da estrela quando ela explodiu — o gás brilhante que a estrela expelia violentamente durante o verão. 

“É como assistir a uma bomba relógio”, disse em comunicado a também autora do estudo, Raffaella Margutt, professora associada de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia. “Nós nunca conferimos uma atividade tão violenta em uma estrela supergigante vermelha prestes a morrer onde a vemos produzir tal emissão luminosa e em seguida entrar em colapso e combustão, isso até agora.” 

Algumas dessas estrelas massivas provavelmente passam por mudanças internas consequentes que causam a liberação tumultuosa de gás antes de morrerem, revelou a descoberta. 

O trabalho foi conduzido enquanto Jacobson-Galán e Margutti estavam ainda na Universidade Northwestern. Eles tiveram acesso remoto aos telescópios do Observatório Keck no Havaí, que foi um “instrumento importante no fornecimento de evidências diretas da explosão de uma estrela massiva em transição para supernova”, conta Margutti. 

“Estou mais entusiasmado por todos os novos ‘desconhecidos’ que foram revelados por essa descoberta”, disse Jacobson-Galán. “Detectar mais eventos como a SN 2020tlf impactará dramaticamente na forma como definimos os meses finais de uma evolução estelar, unindo observadores e teóricos na saga de solucionar os mistérios de como estrelas gigantes passam os momentos finais de suas vidas.”

Fonte: CNN BRASIL

Há 30 anos era descoberto 1º planeta fora do Sistema Solar — hoje são milhares

Exoplanetas alimentam a busca por vida fora da Terra; o conhecimento sobre o assunto se multiplicou em três décadas

A busca por vida fora da Terra ganhou um forte impulso há exatos 30 anos, quando foi confirmada a existência de planetas fora do Sistema Solar – conhecidos como exoplanetas. A ideia, antes apenas hipotética, foi um estímulo essencial para o que viria depois: graças à tecnologia e aos esforços nessa área, o número de exoplanetas identificados saltou para quase 5 mil em três décadas — veja abaixo curiosidades sobre eles.

Os astrônomos Aleksander Wolszczan e Dale Frail são os principais responsáveis pela descoberta que mudaria as perspectivas e o rumo da Astronomia, oficializada em 9 de janeiro de 1992. Juntos, eles evidenciaram os primeiros planetas existentes fora do nosso Sistema Solar. Os chamados exoplanetas, no entanto, orbitavam uma estrela morta, composta por nêutrons e conhecida como Pulsar. Em zonas universais como essa, é impossível a existência de vida. 

Essa Pulsar foi encontrada através do radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico. É o que conta Daniel Brito, pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Planetas orbitando um Pulsar caminham na contramão do que os astrônomos esperam: eles deveriam existir apenas em torno de estrelas normais, como nosso Sol. Há algumas teorias que tentam explicar a origem de um sistema tão exótico como o descoberto em 1992. Porém, o mais importante de todo esse processo foi confirmar que planetas fora do Sistema Solar existem, mesmo em condições extremas”, comenta. 

A hipótese de existência dos exoplanetas se desdobrava muito antes de sua constatação: os filósofos Giordano Bruno e Nicolaus Copernicus já divagavam desde o século XVI a respeito de outros planetas, mas somente com o progresso tecnológico e científico que ocorreu ao longo do século XX é que foi possível confirmar a existência de planetas extra-solares. 

“Com telescópios e radiotelescópios cada vez maiores e instrumentos mais sensíveis, dotados de resolução temporal maior, foi possível detectar sinais cada vez menores da variação da luminosidade e da posição de um objeto no céu”, explica o professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Leonardo Andrade de Almeida. 

Motivados por diferentes fatores, como encontrar vida extraterrestre, aprender com planetas semelhantes ao nosso e, através de tal conhecimento, proporcionar melhores condições de vida, há também o encanto em observar a diversidade do universo. 

“Com a tecnologia que temos hoje, podemos conhecer as variedades específicas de cada planeta extra-solar e suas distinções surpreendentes. Há uma infinidade inesgotável delas. Existem planetas, por exemplo, que orbitam sua estrela pelo período curtíssimo de um dia — o que, para nós, equivaleria a um ano: de um lado, é sempre dia, do outro, é sempre noite”, reflete Luis Ricardo Tusnski, doutor em Astrofísica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 

Alguns anos mais tarde, em 1995, os astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz davam outro grande salto ao encontrarem o primeiro exoplaneta orbitando uma estrela viva: o 51 Peg b, situado a aproximadamente 50 anos-luz da Terra, na constelação de Pegasus. 

“É fascinante a evolução dos recursos científicos e técnicas não só para a detecção de planetas, mas para a coleta de dados e carga de informações sobre eles em apenas 30 anos. Considerando os avanços, trata-se de um curto intervalo de tempo”, complementa Tusnski. 

Descobertas recentes

Grupos de pesquisadores de vários países costumam trabalhar juntos na descoberta de exoplanetas. 

Foi o que aconteceu com o professor José Dias do Nascimento Júnior, PhD pela Universidade Paul Sabatier (França) e pesquisador associado em Harvard-Smithsonian. Ele faz parte do time internacional que identificou o KMT-2020, por meio da técnica de baseado na teoria da relatividade geral, de Einstein: quando duas estrelas se alinham ficando um objeto em primeiro plano e outro no fundo. 

O campo gravitational da estrela hospedeira no primeiro plano, age como uma lente de modo a magnificar a luz da estrela distante no fundo do céu. A magníficacão (aumento do brilho) revela pequenos planetas que possam existir na estrela do primeiro plano. Com esta técnica, torna-se mais eficiente detectar pequenos planetas orbitando próximo de suas estrelas e estes sistemas estrela-planeta podem estar muito distantes. 

A estrela-mãe do KMT-2020 é um pouco menor do que o Sol. “As condições de tamanho, massa e distância do exoplaneta possibilitariam, inclusive, a existência de água. Ele se encontra em uma posição ideal dentro da faixa do mais atual diagrama que mede a probabilidade de circunstâncias habitáveis entre os mundos escaldantes e os mundos de gelo, considerando seus compostos voláteis, como a água, o metano, o dióxido de carbono, o monóxido de carbono, entre outros fatores”, explica Nascimento Júnior. 

Se feita uma simulação projetando as condições do KMT-2020 em relação ao nosso Sistema Solar, o exoplaneta estaria situado entre a Terra e Marte, apresentando possíveis condições de vida, conforme indica a imagem abaixo. 

“A relevância desse estudo para a comunidade científica é, além da descoberta do exoplaneta em si, a técnica de microlente gravitacional. Essa é a única técnica conhecida, até então, para descobrir exoplanetas localizados em distâncias superiores, representando um avanço científico”, complementa Nascimento Júnior. 

Em 2018, o pesquisador Daniel Brito também participou da descoberta de um planeta extra-solar, o IC 4651 9122b, localizado em um de 29 aglomerados abertos previamente selecionados. 

“A busca por planetas em aglomerados abertos permite investigar se eles alteram a composição química de sua estrela-mãe”, explica. 

Os equipamentos envolvidos no processo incluem o espectrômetro HARPS (sigla em inglês para “The High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher”) instalado no ESO e acoplado a um telescópio de 3,6 m em La Silla, Chile. 

O IC 4651 9122b é seis vezes maior do que Júpiter e tem potencial para servir como um escudo de asteroides, exercendo a força gravitacional que permitiria que outro corpo celeste do sistema ficasse protegido e pudesse desenvolver condições de vida. “Encontrar um sistema com um Júpiter com período orbital de 2 anos, como é o caso de IC 4651 9122b, cria um ambiente ‘perfeito’ para manter um planeta rochoso tipo Terra livre dessas colisões. No entanto, ainda não foi confirmada a existência de um segundo planeta”, diz o pesquisador. 

O Brasil na Astronomia internacional

A participação brasileira na identificação de planetas extra-solares foi ampliada nos últimos anos. “Os primeiros trabalhos científicos envolvendo brasileiros nas descobertas dos exoplanetas ocorreram ao longo da primeira década do século XXI, quando também os primeiros doutores nessa área estavam sendo formados. O Brasil passa a ter destaque internacional quando integra a missão espacial CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits), lançada em 27 de dezembro 2006, sendo a primeira dedicada a busca por exoplanetas. 

Atualmente, boa parte dos programas de pós-graduação em Astronomia no Brasil já possui pelo menos uma pessoa trabalhando nas descobertas e análises dos exoplanetas”, comenta Leonardo Andrade de Almeida. 

Em 2017, aconteceu uma identificação 100% brasileira: o CoRoT ID 223977153-b, localizado na direção da constelação de Monoceros, distante cerca de 1200 anos-luz, com o tamanho aproximado de Saturno, mas com metade da massa. 

Ele foi objeto da tese de doutorado de Rodrigo Boufleur, analisando dados da missão CoRoT, com apoio de várias instituições brasileiras. 

Marcelo Emílio, orientador do trabalho e coordenador do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), destaca os avanços no setor. “Há várias participações do Brasil em grupos internacionais que continuam a descobrir exoplanetas. Essas descobertas também inspiram jovens brasileiros a ingressar na carreira científica, provendo uma nova geração de pesquisadores”, pondera. 

O que falta é financiamento em pesquisa científica e autonomia, já que o país fica dependente de outros para ingressar em estudos, projetos e missões importantes. 

“Nós, brasileiros, temos potencial de nos envolvermos em projetos de toda e qualquer dimensão. Apesar de precisarmos muito de fomentos externos, a capacidade técnica e científica é o que não nos falta”, considera Marcella Scoczynki, pesquisadora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). 

O que aprendemos com os exoplanetas?

O pesquisador Daniel Brito apresenta uma visão poética e sustentável sobre o aniversário de 30 anos desde a descoberta do primeiro exoplaneta. 

“O primeiro ponto é que mesmo diante de toda a tecnologia de ponta que temos, ainda não fomos capazes de encontrar a mais simples forma de vida fora da Terra. Até o momento, apenas a Terra abriga vida, mas também precisamos entender o que realmente é vida. Estamos contando com a sorte e apostamos todas nossas fichas na descoberta de vida semelhante àquela que encontramos na Terra. Será que a vida na Terra pode aparecer de forma idêntica em outro planeta?”, reflete Brito 

“Vida é adaptação, e adaptação é uma mistura impressionante de complexidade e equilíbrio. Isso nos faz pensar sobre cada conjunto de moléculas que majestosamente se combinaram e fizeram uma flor desabrochar ou uma pequena bactéria ajudar na digestão. Cada “unidade viva” em nosso planeta é o resultado de uma cadeia de eventos que levou bilhões de anos para tomar forma e se replicar. Assim, devemos, como humanidade, manter vivo esse legado de bilhões de anos. Não podemos continuar exterminando espécies e mudando drasticamente o clima da Terra. Se continuarmos a fazer esses horrores, o resultado será o maior fracasso da raça humana”, opina. 

Um dos reflexos da busca é a percepção da necessidade de cuidar do único planeta sabidamente habitável. “Mesmo que descubramos outro planeta que possa abrigar vida, levaríamos possivelmente dezenas de milénios para levar alguém lá. Outras áreas da astronomia nos ajudam a aprender sobre a questão climática. Já sabemos que o culpado das variações de temperatura de nosso século não é o Sol. Não há uma variação do tamanho do Sol que justifique por consequência uma variação de emissão de energia solar que poderia influenciar mudanças na temperatura da Terra”, explica Marcelo Emílio. 

A realidade é muito diferente das incríveis adaptações cinematográficas. Luis Ricardo Tusnski aprofunda esse pensamento. “Num cenário apocalíptico, não podemos simplesmente entrar numa nave espacial e pousar num novo planeta perfeitamente habitável, como em alguns filmes. Até hoje, não foi descoberto nenhum exoplaneta com condições de vida como há na Terra. Então, isso nos incentiva a cuidar dela. Se não fosse as perfeitas condições de vida que ela nos dá, nós não poderíamos estar aqui agora, saudáveis, aprendendo e debatendo exoplanetas”. 

Em suma, olhar para o universo afora é desafiador e deslumbrante, mas também motiva reflexões bem mais próximas. 

O que esperar do futuro?

Há um universo infinito a ser desbravado, e os recursos para isso seguem evoluindo e tornando as explorações ainda mais acessíveis. “Além da possibilidade de se encontrar vida extraterrestre, nós certamente podemos absorver, através dos estudos de exoplanetas semelhantes à Terra, informações úteis para melhorar a conjuntura de vida que temos aqui. Vale também a tentativa de compreender o universo de forma mais ampla possível”, pontua Marcella Scoczynki. 

Uma das principais missões em curso é a Planetary Transits and Oscilations of Stars (PLATO). Trata-se de um satélite da ESA que ficará em observação de diversas estrelas em busca de um exoplaneta que a orbite, com o intuito de descobrir algum semelhante à Terra, em zona habitável. 

“A missão teve início em 2010, sendo que Brasil é o único país fora da Europa a participar do projeto desde o seu início, contribuindo com engenharia de software, engenharia eletrônica e testes laboratoriais, com muito prestígio e competência. A previsão é que o PLATO seja lançado em 2026 e ronde o espaço durante dez anos em busca de novos exoplanetas”, conta Eduardo Janot Pacheco, professor sênior do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e presidente do Brazil PLATO Committee. 

Marcelo Emílio acrescenta as expectativas com construção de um novo telescópio no Havaí, denominado PLANETS. 

O telescópio testa uma nova tecnologia chamada Fora-do-Eixo e, quando finalizado, será o maior telescópio noturno com essa técnica específica. “O PLANETS poderá sondar a atmosfera de exoplanetas próximos”, esclarece. 

Mas a aposta mais recente e mais animadora vem do telescópio espacial James Webb, lançado no Natal de 2021, focado na busca de exoplanetas. As pesquisas nessa área avançam exponencialmente e com a chegada do telescópio James Webb, fortes emoções estão por vir”, acredita Daniel Brito. 

Maior aposta na descoberta de exoplanetas, o telescópio James Webb tem a missão de olhar mais longe do que qualquer outro telescópio do tipo, podendo coletar ainda mais informação sobre a infância do Universo. Para isso, ele foi equipado com um escudo solar dobrável e um espelho significativamente maior que o de seu antecessor, o Hubble, captando raios infravermelhos e não luz visível. 

Ele também ficará localizado muito mais longe da Terra, na órbita do Sol, o que torna sua manutenção impossível.

Tal feito arriscado só foi possível por uma operação conjunta das agências espaciais americana, europeia e canadense, com um investimento de mais de US$ 10 bilhões em mais de 10 anos de desenvolvimento. 

Na geração dos novos equipamentos estão ainda o ELT (Extremely Large Telescope), TMT (Thirty Meter Telescope) e o GMT (Giant Magellan Telescope). Todos esses projetos, simultaneamente, trazem a perspectiva de enormes avanços tecnológicos e novas descobertas. 

Além dos telescópios, outros avanços tecnológicos permitiram descobertas, como a inteligência artificial, softwares e computadores capazes de processar uma quantidade enorme de dados. 

“Alguns exoplanetas não foram detectados por telescópios. São observados quando passam na frente de uma estrela e causam uma redução de brilho ou de oscilação de gravidade”, explica Marcella Scoczynki. 

O telescópio Hubble foi capaz de detectar cerca de 100 exoplanetas. 

A comunidade científica já identificou 4.911 exoplanetas no total, incluindo planetas substancialmente maiores do que Júpiter e menores do que a Terra, mas os números devem aumentar substancialmente com o James Webb, levando a astronomia para outro patamar. 

Exoplanetas curiosos:

Tempestade de vidro

A 63 anos-luz da Terra, o HD 189733b é constantemente atingido por tempestades de vidro, em virtude da sua atmosfera cheia de partículas de silicato que condensam sob a escaldante temperatura de seu Sol. 

Júpiter rosa

Parecido com uma imensa bola de chiclete flutuante, o GJ 504b é um planeta gasoso semelhante a Júpiter, porém, cor-de-rosa e quatro vezes maior. 

Disco-voador

O J1407b tem formato achatado, com anéis duzentas vezes maiores do que os anéis de Saturno, que praticamente o engolem. 

Três sóis

Uma estrela amarela, outra alaranjada e outra vermelha: são assim as três estrelas que o HD 188753 orbita a 150 anos-luz da Terra. 

Escaldante e afortunado

Pelo menos um terço da massa do planeta 55 Cancri E, que orbita muito perto de sua estrela-mãe e atinge temperaturas altíssimas, é composta de diamante. 

 Dark side 

Praticamente invisível, o TrES 2B é o exoplaneta mais escuro já descoberto, chegando a absorver mais de 99% da luz que o seu Sol emana sobre ele. 

Bebê gigante

Recém-nascido e recém-descoberto, o 2MASS 1155-7919 b ainda está em formação, orbitando uma estrela-mãe literalmente mil vezes mais jovem do que o nosso Sol. 

Uma água diferente 

Com mais de 200º de temperatura, grande parte do GJ 1214b tem sua massa constituída de água. Porém, não do tipo existente na Terra, e sim em uma forma distinta, em razão dos seus estados de matéria desconhecidos até então. 

Ano novo a cada duas horas

Situado na constelação de Serpente e composto de carbono cristalino, o PSR J1719-1438 b leva apenas duas horas para realizar a completa translação em torno de sua estrela. 

Nuvens aquáticas

Parecido com Netuno, o encantador exoplaneta azul TOI-123b é cercado de nuvens d’água, devido à sua atmosfera densa de vapor.

Fonte: CNN BRASIL

Astrônomos descobrem sistema estelar menos ‘metálico’ da Via Láctea

 

 Uma estrutura identificada na Via Láctea apresenta uma menor proporção de elementos pesados do que qualquer outro sistema estelar conhecido em nossa galáxia. A descoberta, descrita em um artigo científico publicado nesta quarta-feira (5) na revista Nature, foi feita por meio do Observatório Gemini, um programa do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica-Infravermelha dos EUA (NOIRLab). 

Segundo as observações, as estrelas do fluxo estelar C-19 foram arrancadas de um antigo aglomerado e são relíquias dos primórdios da Via Láctea, que poderiam fornecer dados sobre a formação das primeiras estrelas. 

Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo membros da União Europeia, Canadá e Rússia, é responsável pela descoberta, que fica ao sul da Via Láctea. Sua órbita se estende a cerca de 20 mil anos-luz do centro galáctico em sua posição mais próxima e cerca de 90 mil anos-luz em seu ponto mais distante.

Sistema estelar ocupa área equivalente a 30 luas cheias na Via Láctea

Segundo os cientistas, o sistema estelar se estende por uma impressionante área do céu noturno — cerca de 30 vezes a largura da Lua cheia — embora não seja visível a olho nu. 

Usando o telescópio Gemini North, localizado no Havaí, e o instrumento Gemini Remote Access to CFHT ESPaDOnS Spectrograph (GRACES), ambos do Observatório Gemini, a equipe percebeu que o C-19 é um remanescente de um aglomerado globular. 

Pensava-se, anteriormente, que os aglomerados globulares tinham metalicidade não inferior a 0,2%, mas a do C-19 é sem precedentes: menos de 0,05%. A descoberta de que um fluxo de baixa metalicidade originou-se de um aglomerado globular tem implicações para a formação de estrelas, aglomerados estelares e galáxias no universo primitivo. 

Aliás, a própria existência desse fluxo indica que os aglomerados globulares e os primeiros blocos de construção da Via Láctea devem ter sido capazes de se formar em ambientes de baixa metalicidade, antes que gerações sucessivas de estrelas fornecessem ao universo elementos mais pesados.

Não se sabia se existiam aglomerados globulares com tão poucos elementos pesados. Algumas teorias até sugeriam que não poderiam se formar”, comentou Nicolas Martin, do Observatório Astronômico de Estrasburgo, autor principal do estudo. “Outras teorias sugerem que todos eles teriam desaparecido há muito tempo, o que faz desta uma descoberta fundamental para nossa compreensão de como as estrelas se formaram no universo primitivo”. 

Membros da equipe originalmente detectaram C-19 em dados do satélite Gaia usando um algoritmo que eles projetaram especificamente para detectar fluxos estelares. As estrelas em C-19 também foram identificadas pela pesquisa Pristine — uma busca pelas estrelas de menor metalicidade dentro e ao redor da Via Láctea usando o Telescópio Canadá-França-Havaí — como sendo interessante o suficiente para merecer observações de acompanhamento. 

Para identificar a origem das estrelas constituintes do C-19, os astrônomos precisavam dos espectros detalhados de GRACES. A equipe também reuniu dados usando um espectrógrafo montado no Gran Telescopio Canarias, em La Palma, nas Ilhas Canárias. 

“GRACES forneceu as pistas críticas de que o C-19 é um aglomerado globular interrompido e não a galáxia anã mais comum interrompida”, explicou Kim Venn, da Universidade de Victoria, o principal pesquisador das observações do GRACES. “Já sabíamos que este era um fluxo muito pobre em metal, mas identificá-lo como um aglomerado globular exigia a precisão da metalicidade e as abundâncias químicas detalhadas disponíveis apenas com espectros de alta resolução”. 

O novo estudo também sugere que C-19 deve ter se formado a partir de gerações muito primitivas de estrelas, tornando o aglomerado uma relíquia notável da época em que os primeiros grupos de estrelas estavam se formando. 

Consequentemente, essa descoberta melhora nossa compreensão da formação de estrelas e aglomerados estelares que surgiram logo após o Big Bang, e fornece um laboratório natural para estudar as estruturas mais antigas nas galáxias.

Fonte: Olhar Digital

Lareira de Órion: ESO divulga nova imagem da Nebulosa da Chama

 


 Foto espetacular é um dos primeiros resultados de um novo instrumento em uso no deserto do Atacama

A Nebulosa da Chama observada pelo Apex e pelo Vista. Crédito: ESO/Th. Stanke & ESO/J. Emerson/VISTA. Acknowledgment: Cambridge Astronomical Survey Unit

Órion oferece uma espetacular queima de fogos de artifício para celebrar o novo ano nesta imagem do Observatório Europeu do Sul (ESO). Não há, no entanto, motivo para preocupações, já que esta constelação icônica não está explodindo nem queimando. O “fogo” que vemos na foto é a Nebulosa da Chama e seus arredores, capturada em ondas de rádio — uma imagem que, sem dúvida, faz justiça ao nome da nebulosa. A imagem foi obtida com o Apex (Atacama Pathfinder Experiment), operado pelo ESO e instalado no planalto do Chajnantor, no deserto chileno do Atacama. 

A imagem recém-processada da Nebulosa da Chama, onde podemos ver também nebulosas menores, tais como a Nebulosa da Cabeça de Cavalo, é baseada em observações conduzidas pelo ex-astrônomo do ESO Thomas Stanke e sua equipe há alguns anos. Entusiasmados em experimentar o então recém-instalado instrumento SuperCam no Apex, os pesquisadores apontaram o telescópio na direção da constelação de Órion. “Como os astrônomos gostam de dizer, sempre que há um novo telescópio ou instrumento disponível, observamos Órion onde há sempre algo novo e interessante a descobrir!”, disse Stanke. 

Alguns anos e muitas observações depois, Stanke e sua equipe tiveram seus resultados aceitos para publicação na revista Astronomy & Astrophysics. 

Berçário estelar

Uma das regiões mais famosas do céu, Órion é o lar das nuvens moleculares gigantes mais próximas do Sol – vastos objetos cósmicos compostos essencialmente por hidrogênio, onde se formam novas estrelas e planetas. Essas nuvens estão localizadas entre 1.300 e 1.600 anos-luz de distância e apresentam o berçário estelar mais ativo na vizinhança do Sistema Solar, além da Nebulosa da Chama que vemos na imagem. Essa nebulosa de emissão abriga um aglomerado de estrelas jovens em seu centro que emite radiação de alta energia, fazendo brilhar os gases circundantes.

Com um alvo tão emocionante, a equipe provavelmente não ficará desapontada. Além da Nebulosa da Chama e seus arredores, Stanke e seus colaboradores puderam admirar uma grande variedade de outros objetos espetaculares. Alguns exemplos incluem: as nebulosas de reflexão Messier 87 e NGC 2071 – nuvens de gás e poeira interestelar que refletem a radiação emitida por estrelas próximas. A equipe até descobriu uma nova nebulosa, um pequeno objeto, notável em sua aparência quase perfeitamente circular, que eles chamaram de Nebulosa da Vaca. 

As observações foram conduzidas como parte do rastreio Alcohols (Apex Large CO Heterodyne Orion Legacy Survey), que observou as ondas de rádio emitidas pelo monóxido de carbono, CO, nas nuvens de Órion. Usar essa molécula para investigar grandes áreas do céu é o objetivo principal do SuperCam, já que esse instrumento permite aos astrônomos mapear enormes nuvens de gás onde se formam novas estrelas. Ao contrário do que o “fogo” desta imagem pode sugerir, essas nuvens são, na realidade, frias, com temperaturas típicas de apenas alguns graus acima do zero absoluto. 

Dados os muitos segredos que ela pode contar, essa região do céu foi varrida muitas vezes no passado em diferentes comprimentos de onda, e cada faixa de comprimento de onda revela características diferentes e únicas das nuvens moleculares de Órion. Como exemplo temos as observações infravermelhas feitas pelo Vista (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO no Observatório do Paranal no Chile, que compõem o fundo calmo desta imagem da Nebulosa da Chama e seus arredores. Ao contrário da radiação visível, as ondas infravermelhas passam através das nuvens espessas de poeira interestelar, permitindo aos astrônomos descobrir estrelas e outros objetos que, de outro modo, permaneceriam escondidos. 

Assim, ale a pena começar 2022 com este espetacular show de fogos de artifício em comprimentos de onda múltiplos trazido até nós pela Nebulosa da Chama de Órion e apresentado pelo ESO.

Fonte: Revista Planeta