O motivo é simples e tem tudo a ver com alguns princípios físicos que tomamos como verdadeiros. Um deles é a ideia de que o que observamos no nosso dia-a-dia, no nosso planeta Terra, na nossa galáxia, é igual em todo o Universo. A verdade é que não sabemos até que ponto podemos fazer tal assumpção, mas a alternativa é desistir de termos capacidade de previsão.
Um exemplo curioso e que de vez em quando ressurge: a ideia de que a velocidade da luz pode não ser constante. Há várias propostas que de tempos em tempos surge a defender esta ideia, que por exemplo, em tempos remotos a velocidade da luz pode ter sido diferente e assim já não necessitaríamos da teoria da grande inflação, ou que a energia escura deixa de ser necessária, ou outras ideias que atualmente são tidas como corretas.
A questão vai sempre dar com a chamada navalha de Occam, a ideia de que para soluções igualmente verosímeis, devemos escolher a solução mais simples, que mais coisas explicam sem necessidade de mais coisas desconhecidas, etc. É também conhecido como princípio da parcimónia.
A Cosmologia tem por base algumas ideias que sempre foram tidas como corretas, como a ideia de que o Universo é uniforme quando pensamos em larga escala e que o Universo é isotrópico, ou seja, que apresenta o mesmo aspecto em todas as direções quando pensamos em larga escala.
O problema é que têm surgido observações que parecem por em causa estas ideias, da homogeneidade e da isotropia. Podemos estar perante um problema de medição, i.e., os nossos instrumentos não são suficientemente bons para as medições em grande escala, podemos estar perante um problema de assumir que a evolução do Universo não seja simétrica, ou seja, que não podemos simplesmente aplicar a regras que hoje observamos para o passado distante.
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