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domingo, 10 de março de 2013

Novos programas espaciais lançarão 280 satélites no espaço nos próximos 10 anos


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O espaço tem tudo para ficar lotado: segundo uma análise da Euroconsult, mais de 280 novos satélites de observação devem entrar em órbita ao redor da Terra durante a próxima década.
Cerca de 30% desses novos veículos espaciais devem vir de países da Ásia, América Latina, África e Oriente Médio com programas espaciais em desenvolvimento, como o Cazaquistão e o Vietnã.
Os satélites vão fornecer a seus países de origem imagens para monitoramento de culturas, previsão do tempo, observação militar, planejamento urbano, etc.
Os novos programas espaciais também devem beneficiar regiões onde a transferência de tecnologia é a chave para a promoção de indústrias nascentes. Um número crescente de países está buscando know-how para reforçar programas espaciais nacionais, incluindo alguns com potencial para vender imagens e dados no mercado comercial. Por exemplo, a Turquia está investindo fortemente no desenvolvimento de seu programa espacial nacional, que já conta com vários satélites de telecomunicações e duas naves espaciais de observação da Terra, com planos de produzir mais.
Por conta disso, os novos satélites também devem representar uma concorrência para as empresas que vendem imagens de satélite aos que não os possuem.
Governos e outros grupos gastaram US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 2,75 bilhões) em compras de imagens de satélite em 2011. Até 2021, a Euroconsult espera que a indústria de imagens de satélites gere US$ 4 bilhões (cerca de R$ 7,83 bilhões) em receita. Esse segmento comercial é atualmente dominado pelos fornecedores ocidentais. Mas, conforme economias emergentes ganham conhecimento espacial tecnológico, principalmente através de contratos com fabricantes europeus e asiáticos, empresas estabelecidas dos EUA e da Europa navegarão por um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo.
Conheça alguns dos satélites dos programas espaciais em desenvolvimento:
  • Gokturk-1, satélite turco que será capaz de capturar imagens com uma resolução de 50 centímetros em preto e branco. “Gokturk-1 é o exemplo mais impressionante de um satélite com reais capacidades que não está tão longe das tecnologias líderes das cinco principais nações no espaço”, disse Philippe Campenon, vice-diretor de espaço e de observação da Terra na Euroconsult;
  • Dois satélites do Cazaquistão, com resolução de 1 e 7 metros. O primeiro, DZZ-HR, está programado para lançamento no meio de 2014;
  • Quatro satélites do Vietnã, um deles VNREDSat-1A, que tem uma resolução de 2,5 metros em preto e branco, e deve ir para o espaço em abril deste ano;
  • Formosat-5, do Taiwan, com uma resolução de 2 metros em preto e branco, programado para lançamento em 2015;
  • KOMPSAT-3, satélite da Coreia do Sul com uma resolução de 55 centímetros em cores, programado para ser lançado ao espaço em setembro deste ano.

Alta (mas não o suficiente) tecnologia

Apesar dos projetos serem interessantes, Campenon afirma que os programas espaciais emergentes estão longe de desenvolver recursos sofisticados e de alta resolução de imagem próprios.
“Do ponto de vista tecnológico, o passo entre média e alta resolução é enorme”, explica.
Por exemplo, Taiwan trabalhou durante anos com a empresa francesa Astrium no desenvolvimento de sua série de satélites Formosat, com o objetivo de aumentar a capacidade nacional industrial e a indústria de serviços associados.
Depois de uma década de aquisição de conhecimentos de engenharia através da colaboração internacional, o novo Formosat-5 vai levar um instrumento óptico construído em Taiwan capaz de uma resolução de 2 metros em preto e branco e 4 metros multiespectral.
Similarmente, o Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coréia passou quase duas décadas desenvolvendo a série de satélites coreanos multiuso Kompsat, começando com um satélite projetado pela TRW dos EUA, usando instrumentos ópticos alemães. Sua última geração de satélite de observação da Terra, o Kompsat-3, carrega uma câmera construída pela Astrium capaz de uma resolução de 70 centímetros pancromática e 2,8 metros multiespectral. O próximo Kompsat-3A, programado para ser lançado em setembro, também foi construído com ajuda da Astrium, com resolução de 55 centímetros pancromática e 2,2 metros multiespectral, além de uma câmera infravermelha.
“São projetos de alta tecnologia, mesmo que estejam um passo atrás dos sistemas europeus e americanos”, diz Campenon.
Por hora, países como Coréia do Sul e Taiwan representam pouca ameaça para os prestadores comerciais de sensoriamento remoto estabelecidos, embora isso já esteja começando a mudar.
A Coréia do Sul, por exemplo, recentemente deixou de fazer negócios com a Astrium e passou a usar a pequena fabricante de satélite e dados locais Satrec Initiative. O Taiwan pode fazer algo parecido.
A Satrec também está trabalhando com os Emirados Árabes Unidos para desenvolver a série de naves espaciais DubaiSat. Abu Dhabi é uma das várias capitais do Oriente Médio que investe em capacidades espaciais como uma resposta à crescente instabilidade na região, como a ameaça percebida do Irã, o que se traduz em um desejo de promover uma indústria espacial nacional de defesa.

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