E isso não é misticismo, é apenas relatividade especial e geral funcionando à pleno vapor.
A luz do Sol leva cerca de 8 minutos e 20 segundos para chegar à Terra, porque a distância média é 1 unidade astronômica e a velocidade da luz é finita, e a Relatividade Geral nos diz que alterações no campo gravitacional também se propagam à velocidade da luz. Ou seja, a “informação gravitacional” não é instantânea e o espaço-tempo não envia notificações em tempo real.
Portanto, se o Sol simplesmente deixasse de existir em um instante hipotético, a Terra não “saberia” imediatamente, e durante esses 8 minutos e 20 segundos, a curvatura do espaço-tempo na posição da Terra ainda seria aquela correspondente ao Sol presente, dessa forma a órbita seguiria normal, as marés continuariam, os relógios seguiriam e os astrônomos ainda estariam terminando o café da manhã.
Após esse intervalo, a informação da ausência de massa solar chegaria à nós, e nesse momento, a curvatura desapareceria e a Terra deixaria de estar sob força gravitacional central. O que aconteceria então? Ela seguiria em linha reta tangente à órbita que tinha naquele instante, de acordo com a primeira lei de Newton, ou seja, nada de espirais dramáticos…apenas movimento inercial.
Agora, uma observação importante:
Isso não significa que a gravidade seja “atrasada” de forma newtoniana!!! A Relatividade Geral é construída precisamente para evitar instabilidades absurdas, caso a força gravitacional apontasse sempre para a posição antiga da fonte. Fique tranquilo…o formalismo relativístico garante a consistência causal.
Em termos energéticos, o cenário é fisicamente impossível na forma “o Sol desaparece magicamente”. A massa teria que ir para algum lugar, e se ela fosse convertida integralmente em energia, por exemplo, teríamos outros problemas antes de discutir órbitas.
Conclusão:
Felizmente, o Sol não costuma sumir sem aviso prévio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário