“Depende. E essa é sempre a resposta mais honesta que um físico pode dar….”
A expressão estrela negra soa como algo que deveria aparecer em um filme de romance de ficção científica ou em nome de uma banda de rock progressivo. Mas a natureza, infelizmente, não costuma respeitar nossos nomes bonitos. No sentido estrito, estrelas são objetos que brilham porque não têm escolha…qualquer coisa quente o suficiente para ser chamada de estrela vai irradiar energia. Mesmo a mais apagada das anãs vermelhas ainda emite luz — se não no visível, pelo menos no infravermelho. Uma estrela totalmente negra seria um objeto tão frio e silencioso que a própria termodinâmica pediria demissão.
Agora, se a pergunta estiver flertando com buracos negros, aí entramos em terreno mais interessante. Buracos negros existem, são observáveis indiretamente e, ironicamente, não são completamente negros. Eles emitem radiação de Hawking, o que significa que, em princípio, até um buraco negro brilha — só que tão pouco que o universo provavelmente acaba antes que alguém perceba. Além disso, chamá-los de estrelas é um abuso semântico que faz astrônomos revirarem os olhos em perfeita sincronia.
Curiosamente, a ideia de estrelas negras é mais velha do que a relatividade geral. No século XVIII, quando a luz ainda era tratada como uma partícula obediente à gravidade newtoniana, Michell e Laplace imaginaram estrelas tão massivas que nem a luz conseguiria escapar. O raciocínio era elegante, o resultado estava errado, e ainda assim eles acabaram tropeçando, por pura audácia intelectual, em algo que só seria compreendido corretamente duzentos anos depois. Um erro conceitual que envelheceu melhor do que muitas teorias corretas.
Então, existem estrelas negras no universo?
Ninguém sabe!
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