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domingo, 1 de dezembro de 2013

Climas extremos no Espaço


Prever se na Terra vai chover ou fazer sol é difícil - os erros que a Metereologia comete todos os dias estão aí para provar. Mas isso não é nada perto do quebra-cabeça que é a tentativa de deduzir temperatura, velocidade dos ventos, tempestades - enfim, o clima dos outros oito planetas do sistema solar. Mesmo com auxílio de cálculos complexos, observações através de potentíssimos telescópios e radiotelescópios , sem falar nos satélites e sondas espaciais, dá para perceber os problemas enfrentados pelos astrônomos para conhecer o clima de outros mundos. As dificuldades começam na atmosfera dos planetas. Mercúrio, o menor de todos e o mais próximo do Sol, por exemplo, nem mesmo atmosfera tem, devido à sua própria força gravitacional, que é baixíssima . Por isso, sem a proteção de nuvens ou correntes de vento, o planeta está diretamente exposto à radiação solar. Durante o interminável dia de Mercúrio, que dura nada menos que 58 dias e 5 horas terrestres, o calor pode chegar a 430 graus centígrados, para cair a 170 graus negativos quando o Sol se põe.
Seria lógico supor que esse planeta, por ser o mais próximo do Sol , fosse também o mais quente. Mas isso não acontece. Embora duas vezes mais longe do Sol do que Mercúrio, o recordista de altas temperaturas é Vênus , com 500 graus no seu lado iluminado. Vários veículos espaciais soviéticos e americanos já tentaram entrar na densa atmosfera de Vênus. O máximo que dois deles conseguiram foi funcionar por uma hora na superfície. A pressão em Vênus é 90 vezes a da atmosfera terrestre. Além disso, a atmosfera venusiana é composta de 96 por cento de dióxido de carbono. Esse indigesto gás permite a passagem da luz, mas não a do calor. Ao atingir o solo de Vênus, a luz se transforma parcialmente em calor, que não consegue sair do planeta, tornando a superfície muito quente. É o chamado efeito estufa — que aqui na Terra resulta do aumento da poluição.

Para completar esse clima nada agradável, descobriu-se que Vênus está rodeado também por uma eterna neblina formada por gotinhas de ácido sulfúrico concentrado. O dióxido de enxofre (SO2) que circula acima das nuvens é transformado pela luz ultravioleta do Sol e recombinado com o vapor de água da atmosfera para formar o ácido. Este, ao atingir altitudes menores, se transforma novamente em SO2 e água. É por isso que, embora sempre chova ácido sulfúrico no planeta, nenhuma gota chega a atingir o chão. Em Vênus, os relâmpagos são tão constantes e de tamanha intensidade que a superfície parece quase sempre iluminada, mesmo quando a luz do Sol não está presente. O dia venusiano dura 243 dias terrestres, devido à sua rotação lenta. Por causa do dióxido de carbono, o céu visto de Vênus é cor-de-rosa.
Comparado com o de Vênus, o clima de Marte é bem mais ameno. Como acontece com a Terra, seu eixo de rotação está ligeiramente inclinado enquanto se dá o movimento de translação em torno do Sol. Isso significa estações diferenciadas. As temperaturas, que no verão marciano podem ultrapassar a barreira de zero grau centígrado, no inverno chegam a 140 graus negativos. Como sua atmosfera também é composta principalmente de dióxido de carbono, os cientistas chegaram a levantar a hipótese de que em Marte ocorre o mesmo efeito estufa de Vênus. Mas logo verificaram que, como sua densidade é muito menor, o dióxido de carbono apenas retém o calor parcialmente refletido pela superfície do planeta, sem influir no nível da temperatura.
Em compensação, o planeta vermeIho exibe outros fenômenos climáticos curiosos. Por exemplo, nele pode até nevar. No inverno, quando o vento sopra levemente sobre a superfície, levanta pequenos grãos de areia que se misturam ao dióxido de carbono condensado e caem como se fossem flocos de gelo seco. O vento pode causar eventos dramáticos. Ao alcançar velocidades de mais de 200 quilômetros por hora, desencadeia imensas tempestades de areia que chegam a esconder parcialmente durante meses a superfície do planeta.
Nos chamados planetas exteriores, de Júpiter a Plutão, o clima é ainda mais peculiar. Por causa da massa, Júpiter e Saturno são quase estrelas. Se fossem mais maciços, teriam reações termonucleares e começariam a brilhar com luz própria. Mesmo não sendo, suas temperaturas interiores são tão elevadas que liberam duas vezes mais calor do que recebem diretamente do Sol. Mas nas agitadas camadas superiores da atmosfera desses planetas predominam temperaturas de 150 a 180 graus abaixo de zero. Quanto maior a proximidade do centro, mais aumentam as temperaturas.
Em Júpiter, o calor alcança fantásticos 400 milhões de graus, 10 vezes mais que no interior do Sol. Só que um imaginário explorador de Júpiter não teria tempo de perceber essas realidades climáticas. A imensa força gravitacional do planeta o esmagaria contra o solo, isto é, se existir solo. Pois Júpiter, abaixo da imensa atmosfera carregada de nuvens e tempestades, é um oceano de hidrogênio líquido que envolve um núcleo de hidrogênio sólido metálico. Nas proximidades de seu interior, as pressões são descomunais: cerca de 3 milhões de vezes a pressão atmosférica na superfície da Terra. Bem no centro de Júpiter—especulam os astrônomos —deve haver uma massa informe de rocha e ferro escondida embaixo do metal sólido.
Como é de esperar, a atmosfera de Júpiter também é composta principalmente de hidrogênio. Ventos de mais de 500 quilômetros por hora provocam turbulências eternas sobre a superfície. Para formar uma idéia, um tufão devastador na Terra é o resultado de ventos de mais de 90 quilômetros por hora. A chamada Mancha Vermelha do planeta, que se avista ao telescópio, é um furacão de hidrogênio de 40 mil quilômetros de extensão que rodopia há pelo menos três centenas de anos. Demora seis dias terrestres—ou dois dias e cinco horas jupiterianos—para que as massas gasosas que fazem parte da atmosfera do planeta contornem o furacão.
Da mesma forma que Júpiter, Saturno é de meteorologia instável— basicamente uma bola de gás em torno de um núcleo metálico. Ao estudar as nuvens que fazem parte de sua atmosfera, composta de hélio e hidrogênio, os cientistas descobriram ventos de até 1 400 quilômetros horários. Esses ventos, por sua vez, provocam violentas tempestades magnéticas, com relâmpagos e tudo.
Em agosto de 1981, a nave Voyager 2 descobriu uma nuvem de gases em torno do planeta, muitas vezes mais quentes que as camadas externas do Sol. A maior parte das informações sobre Júpiter e Saturno foram coletadas pelas sondas Voyager 1 e 2 , que passaram a milhares de quilômetros dos dois planetas.
Foram elas que mostraram, por exemplo, que os famosos anéis de Saturno são, na verdade, um labirinto de círculos concêntricos de fragmentos, provavelmente de gelo e rochas. A NASA pretendia que a sonda Galileu, cujo lançamento estava programado para este ano, transportasse aparelhos de medição para serem jogados de pára-quedas sobre Júpiter. A experiência foi adiada para 1995, quando se espera que a missão seja retomada, depois da interrupção do programa espacial americano devido ao desastre da Challenger.
Sobre o clima de Urano se sabe muito pouco. Nas altas camadas da atmosfera, composta por um coquetel de gases, como hidrogênio, metano, amoníaco, hélio e talvez ainda vapor de água, as temperaturas chegam a 200 graus abaixo de zero. Em janeiro de 1986, a Voyager 2 mandou para a Terra cerca de 6 mil fotografias desse terceiro maior planeta do sistema solar e sétimo em distância do Sol. A maioria delas mostra claramente seus satélites sem atmosfera, mas as imagens do próprio Urano não dizem muita coisa. Sua atmosfera, percorrida por ventos às vezes violentos, é coberta por nuvens verde-azuladas. Essa cor se explica provavelmente pelas alterações que o metano sofre em presença da radiação solar.
Aparentemente, o calor do Sol tem pouca influência sobre o clima de Urano. O planeta leva 84 anos terrestres para circular em volta do astro. Esse movimento é executado de lado, de tal forma que um dos pólos fica exposto diretamente à luz solar durante 42 anos, enquanto o outro permanece na sombra. Ou seja, o que é o equador na Terra em Urano é um pólo. Mas não existem diferenças significativas de temperatura entre as diversas regiões do planeta. No dia 25 de agosto de 1989, a sonda Voyager 2, lançada em 1977, estará enviando à Terra suas mais importantes observações sobre Netuno . O planeta está tão longe que é impossível ver qualquer coisa debaixo da camada de nuvens que o rodeia.
Tudo o que se diz de Netuno são apenas suposições. Entre 1975 e 1976, por exemplo, houve uma mudança na radiação emitida pelo planeta, captada na faixa do infravermelho do espectro de luz. Isso indica mudanças climáticas associadas à movimentacão de nuvens. Acredita-se que Netuno seja parecido com Urano, isto é, coberto por uma camada de hidrogênio e hélio. Além disso, como Urano, Netuno tem cor esverdeada, provavelmente também devido à absorção de luz vermelha pelo gás metano contido em sua atmosfera.
O mais remoto dos planetas conhecidos do sistema solar, Plutão é também o mais misterioso. Só recentemente se comprovou que possui uma atmosfera, que compartilha com o seu satélite Caronte. A temperatura máxima do planeta não vai além de cerca de 200 graus negativos. É quando os raios do Sol provocam a evaporação da neve de metano que recobre sua superfície, criando uma camada atmosférica muito fina. As moléculas de metano se aceleram a uma velocidade supersônica e atravessam a distância de 19 mil quilômetros que separa Plutão e Caronte (a distância entre a Terra e a Lua é vinte vezes maior). Isso cria a nuvem de metano que envolve os dois astros. Quando eles se afastam do Sol, em sua órbita alongada, a atmosfera volta a congelar-se, caindo como neve na superfície escura do planeta.
Em nenhum planeta existem condições climáticas confortáveis para os habitantes da Terra. O homem não suporta o calor e o frio extremos de Mercúrio, nem pode respirar o venenoso ar de Marte e Vênus, onde, além do mais, a atmosfera é muito ácida e densa. Todos os outros planetas são terrivelmente inóspitos, não só pela atmosfera mortal mas também pela incrível gravidade, no caso dos planetas gigantes, e pelo frio insuportável. Quanto mais afastado do Sol mais gelado e monótono é o clima de um planeta. Assim, mesmo quando a Voyager 2 passar perto de Netuno e Plutão, não se deve esperar que emita boletins meteorológicos espetaculares. Sob tais climas, é virtualmente impossível que haja vida em qualquer desses planetas—ao menos, vida como é conhecida aqui na Terra.

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