Viajando no tempo através do espaço profundo, os astrônomos utilizaram a impressionante resolução do radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para capturar o choque titânico de duas galáxias massivas primitivas, catalogadas sob o nome B14-65666.
O registro capta um momento crítico que ocorreu há mais de 13 bilhões de anos, o que significa que a luz dessas estruturas viajou pelo cosmos desde a época em que o nosso Universo tinha apenas 5% de sua idade atual, durante o período conhecido como "Amanhecer Cósmico".
Embora colisões galácticas sejam eventos comuns na evolução do Universo, esta descoberta em particular quebrou recordes por se tratar da fusão mais antiga e detalhada já observada diretamente pela ciência. O sistema B14-65666 foi detectado originalmente em dados anteriores como um único objeto brilhante, mas a sensibilidade do ALMA permitiu separar a estrutura em duas massas distintas que se movem a velocidades altíssimas uma em direção à outra, envoltas em uma colossal nuvem de poeira cósmica.
O impacto e a fricção causados por essa colisão em câmera lenta estão gerando uma onda de choque que comprime violentamente as imensas reservas de gás interestelar presentes nas duas galáxias. Essa compressão funciona como um gatilho de altíssima eficiência para o nascimento de novas estrelas. Os modelos de computador baseados nos dados coletados estimam que o sistema está produzindo novos sóis a uma taxa impressionante: o equivalente a centenas de massas solares por ano. Para efeito de comparação, essa velocidade de fabricação estelar é pelo menos 100 vezes maior do que a taxa anual de toda a nossa Via Láctea.
A análise química das galáxias também surpreendeu os cientistas ao detectar assinaturas claras de elementos pesados como carbono, oxigênio e poeira em grandes quantidades. Como esses elementos só podem ser forjados no interior de estrelas que explodem como supernovas, a descoberta prova que as primeiras gerações de estrelas já haviam vivido e morrido muito rápido naquele período, semeando o espaço com os blocos químicos fundamentais que, bilhões de anos mais tarde, dariam origem a planetas rochosos e à vida.

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