
Tempestade de Poeira com Relâmpagos em Marte
Quase nada é propício para as plantas em Marte.
A pressão atmosférica média ao nível do solo em Marte é de cerca de 6 a 7 milibares, o que representa menos de 1% (cerca de 0,6%) da pressão ao nível do mar na Terra (1.013 milibares), isto é comparável à pressão atmosférica terrestre na altitude extrema de uns 30 quilómetros, muito acima da altitude de cruzeiro dos aviões comerciais.

Temperaturas Atmosféricas em Marte
A água líquida exposta — incluindo a água no interior duma planta desprotegida — ferveria e [simultaneamente uma parte] congelaria rapidamente na superfície de Marte.

Marte
Em média, Marte recebe cerca de 43% a 52% da luz Solar que a Terra recebe, mas durante uma severa tempestade de poeira global, a luz solar que atinge a superfície pode diminuir mais de 99%, mergulhando o dia numa escuridão quase total.
As tempestades de areia e poeira em Marte são vastos eventos atmosféricos que podem crescer desde turbilhões locais até supertempestades que circundam o planeta e atingem velocidades máximas de cerca de 100 km/h, o que representa menos de metade da velocidade dos furacões severos na Terra mas com uma atmosfera tão rarefeita os ventos de alta velocidade transportam muito pouca inércia física ou força destrutiva não conseguindo pressão suficiente para danificar estruturas pesadas.

Comparação dum Marte Normal (esq.) com um Marte sob uma Tempestade de Poeira Global (dir.)
Mas, uma vez a cada três anos marcianos (cerca de 5,5 anos terrestres), as tempestades de poeira regionais fundem-se e podem envolver completamente o planeta durante semanas ou mesmo meses.
As tempestades globais bloqueiam quase toda a luz solar direta, reduzindo drasticamente a geração de energia para as unidades alimentadas a energia solar e a luz solar para as plantas.
Reatores nucleares seriam essenciais para aquecimento, luz e eletrólise — separando Oxigénio da água já que a atmosfera de Marte é sobretudo CO₂.
O pó marciano comporta-se quase como talco fino ou flocos de isopor (esferovite) microscópicos, porque as partículas individuais são ligeiramente eletrostáticas e aderem teimosamente às superfícies expostas e às engrenagens mecânicas.

Estufa Marciana
Assumindo agricultura em estufas pressurizadas, com espelhos concentradores solares e, quando necessário com iluminação artificial, há que obter água — felizmente parece que Marte tem quantidades substanciais.
Há bilhões de anos, Marte apresentava um clima mais quente com rios de superfície, lagos e até um oceano.
Porém na ausência dum forte campo magnético protetor, os ultravioletas solares foram paulatinamente dissociando a água atmosférica em Oxigénio (que se acabou combinando com minerais à superfície, daí a cor de ferrugem do planeta) e Hidrogénio (que foi escapando para o vácuo do espaço).

Perda Cinética de Gases Função da Temperatura no Topo da Atmosfera e da Velocidade de Escape. Cada Gás numa linha, só Corpos Celestes acima dessa linha conseguem reter esse Gás.
As calotas polares permanentes em ambos os pólos contêm grandes quantidades de água gelada misturada com gelo seco (de Dióxido de Carbono).
Gelo próximo da superfície existe em crateras de latitudes médias e em camadas subterrâneas por todo o planeta, sob as formas de glaciares e permafrost.
Sondagens sísmicas recentes revelaram reservatórios profundos de água líquida.

As Áreas Coloridas deste Mapa obtido por Radar denotam Água Sub-Superficial. Cores Frias estão mais perto da Superfície que as Cores Quentes e a Área Marcada seria a Mais Propícia.
O maior problema para a agricultura são os Percloratos no solo Marciano.

Salmoura de Percloratos no Solo Marciano
Os Percloratos são químicos tóxicos usados como oxidantes em pirotecnia e obtidos por oxidação anódica dos cloratos. Por exemplo o Perclorato de Potássio (KClO₄) é relativamente pouco solúvel, precipitando-se durante a sua reação de síntese.
Estes compostos tóxicos impedem que a tireoide absorva Iodo do sangue, elemento essencial para produzir os hormônios que controlam o metabolismo. A falta destes hormônios causa hipotireoidismo (baixa produção hormonal), gerando fadiga, ganho de peso e outros problemas regulatórios.
São perigosos para gestantes e bebês: os fetos e recém-nascidos correm maior risco, pois a falta de hormônios tireoidianos pode prejudicar gravemente o desenvolvimento neurológico e o sistema nervoso.
Os Percloratos são tóxicos para as plantas e prejudicam o seu desenvolvimento. Induzem a formação de espécies reativas de Oxigênio que danificam as células vegetais. Provocam clorose (amarelamento das folhas), necrose (morte dos tecidos) e queimaduras nas pontas das folhas. Inibem a fotossíntese (ao afetar os cloroplastos), diminuem a área foliar e reduzem a produtividade das colheitas.
As plantas absorvem facilmente os Percloratos presentes no solo e na água de irrigação, acumulando-os principalmente nas folhas. O consumo desses vegetais por humanos ou animais transfere o contaminante para a cadeia alimentar.

Solo Marciano