Você já deve ter ouvido que o espaço é um vácuo absoluto e que, por isso, o silêncio lá é total. Mas o universo adora surpreender: essa regra não se aplica a todos os cantos do cosmos.
Embora o som precise de um meio — como o ar ou a água — para se propagar, grandes aglomerados de galáxias não são totalmente vazios. Eles são preenchidos por imensas nuvens de gás e poeira. Em 2022, a NASA conseguiu captar as ondas de pressão geradas pelo buraco negro supermassivo no centro do aglomerado de Perseu, localizado a 240 milhões de anos-luz da Terra.
O resultado? Uma verdadeira "trilha sonora" cósmica.
Como a NASA "ouviu" o buraco negro?
O buraco negro emite jatos de energia tão potentes que enviam ondas de choque através do gás quente ao seu redor. Essas ondas criam flutuações de pressão — o mesmo princípio básico do som na Terra.
Para que nossos ouvidos pudessem escutar esse fenômeno, os cientistas extraíram as ondas sonoras rádio astronômicas e as escalaram para cima. O som original emitido pelo buraco negro está cerca de 57 oitavas abaixo do Dó central, uma frequência milhares de vezes mais grave do que o limite da audição humana. Ao "aumentar o tom" em quatrilhões de vezes, o áudio pôde ser revelado.
Como é esse som?
Diferente do silêncio absoluto que muitos imaginam, o som do buraco negro lembra um zumbido profundo, gutural e quase hipnótico — algo muito semelhante a um vento uivando em uma noite fria ou a uma nota de sintetizador de um filme de ficção científica.
Essa descoberta não serve apenas para matar a nossa curiosidade: estudar essas ondas sonoras ajuda os astrônomos a entenderem como a energia se espalha pelos aglomerados galácticos e como a matéria interage ao redor dos objetos mais severos e misteriosos do universo.
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