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sábado, 25 de maio de 2013

O planeta vovô da Via Láctea




Muito tempo antes de a Terra ter-se formado, há cerca de 4,5 bilhões de anos, surgiu o planeta mais antigo já identificado na nossa galáxia. Ainda sem nome, esse planeta se encontra na Vila Láctea num aglomerado globular de estrelas conhecido como M4, na constelação de Escorpião, a 7 200 anos-luz. Estima-se que ele tenha surgido há 13 bilhões de anos – “apenas” 1 bilhão de anos depois do Big Bang, a violenta explosão que deu origem ao Universo. A descoberta foi anunciada pela Nasa, a agência espacial americana, em julho de 2003. Mas as especulações sobre a existência desse planeta começaram em 1988, quando foi identificado no aglomerado M4 o pulsar catalogado como PSR B1620-26.

Pulsar é uma estrela de pequena dimensão, com intenso campo magnético e que gira extremamente rápido em torno do seu eixo – no caso do PSR B1620-26, ele gira cerca de 100 vezes por segundo e emite pulsos de ondas eletromagnéticas. Os astrônomos notaram irregularidades no pulsar que sugeriam a existência de um outro corpo celeste, além das duas estrelas verificadas. A dúvida era se esse terceiro corpo era um planeta ou outra estrela. Depois de analisar imagens fornecidas pelo telescópio Hubble, os cientistas da Nasa conseguiram estimar que o objeto tem 2,5 vezes a massa de Júpiter (o maior planeta do sistema solar) e concluir que se tratava, sim, de um planeta.

Em comparação com a Terra, que é um planeta de terceira geração, o planeta descoberto pertence à primeira geração. Isso significa que ele orbita uma das primeiras estrelas formadas após o Big Bang. O velho planeta possui uma improvável e acidentada vizinhança: está na órbita de um peculiar par de estrelas mortas no núcleo de um aglomerado com mais de 100 000 estrelas. A descoberta fornece evidências de que os primeiros planetas surgiram “rapidamente”, ou seja, em menos de um bilhão de anos após o Big Bang. Portanto, podem ser muito mais abundantes do que até então se acreditava. O planeta vovô não deve ter uma superfície sólida semelhante à da Terra, apenas gasosa. Por ter-se formado nos primórdios da vida do Universo, provavelmente não possui quantidade abundante de elementos como carbono e oxigênio. Por essas razões, é muito pouco provável que possa abrigar vida como conhecemos na Terra.

Os aglomerados globulares de estrelas, como o M4, são deficientes em elementos pesados. Por isso, alguns astrônomos acreditavam que eles não poderiam conter planetas. A descoberta do planeta mais antigo da Via Láctea obrigou os cientistas a reverem suas posições. Mais do que isso: encontrar um planeta com mais que o dobro da idade da Terra muda a escala de tempo com que estávamos acostumados a pensar a formação dos planetas e amplia as chances de existirem, na nossa galáxia e em todo o Universo, outros astros com características parecidas com as do nosso planeta.

MUNDO PEQUENO
O conhecimentodo Universo se ampliou apartir do século 17. O mundo já foi bem menor do que é hoje – pelo menos na cabeça do homem. À medida que avançou seu conhecimento sobre o cosmos, as fronteiras do Universo foram se ampliando. Até o início do século 17, o mundo conhecido era formado por apenas oito “planetas”: Terra, Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, além das estrelas. Achava-se que a Terra era o centro do Universo. Era a teoria geocentrista, do astrônomo grego Cláudio Ptolomeu. Em 1633, o italiano Galileu Galilei foi condenado pela Inquisição por postular que a Terra girava ao redor do Sol. Só no final do século 17 foi aceita a teoria do astrônomo polonês Nicolau Copérnico de que a Terra e outros planetas giram em torno do Sol. A essa altura, o número de corpos celestes conhecidos havia mais que dobrado, para 17. Já no século 19, o número de corpos conhecidos no sistema solar aumentou com a descoberta dos asteróides (até 1899, já eram conhecidos 464). No início do século 20, os astrônomos descobriram que o Sol é apenas uma dentre bilhões de estrelas da Via Láctea e que ele está longe do centro da galáxia. Em 1999, dados do telescópio Hubble permitiram estimar que o Universo é formado por, no mínimo, 125 bilhões de galáxias – um vasto mundo que permanece praticamente desconhecido para nós.

O impacto da descoberta
A existência de um planeta formado menos de 1 bilhão de anos depois do Big Bang leva à conclusão de que pode haver muito mais planetas na nossa galáxia – e no Universo – do que se imaginava.

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