Os astrônomos descobriram também que a superfície de Éris é muito reflexiva, refletindo 96% da luz que lhe chega. Este valor corresponde a uma superfície ainda mais brilhante do que a neve fresca na Terra, o que torna Éris um dos objetos do Sistema Solar mais refletores, similar à lua gelada de Saturno, Enceladus.
A superfície brilhante de Éris é muito provavelmente composta por uma mistura de gelo rico em nitrogênio e metano gelado - como indica o espectro do planeta - que cobre todo o planeta com uma camada de gelo fina muito refletora, com menos de um milímetro de espessura.
"Esta camada de gelo pode ter resultado da condensação em gelo da atmosfera de nitrogênio ou metano do planeta anão, que atinge a superfície à medida que o planeta se afasta do Sol ao longo da sua órbita alongada e entra cada vez mais em um ambiente frio," acrescenta Jehin.
O gelo pode posteriormente voltar a transformar-se em gás à medida que Éris se aproxima do ponto mais próximo do Sol, a uma distância de cerca de 5,7 bilhões de quilômetros.
Com os novos resultados, a equipe pôde também estimar a temperatura na superfície do planeta anão, obtendo um resultado de no máximo -238º Celsius para a superfície iluminada pelo Sol e menos ainda para o lado noturno de Éris.
"É extraordinário o quanto podemos aprender sobre um objeto distante pequeno como Éris quando o observamos passando em frente de uma estrela tênue, utilizando telescópios relativamente pequenos. Cinco anos depois da criação da nova classe dos planetas anões estamos finalmente conhecendo bem um dos seus membros fundadores," conclui Bruno Sicardy.
Observação complicada
A estrela candidata a ocultação foi identificada ao serem estudadas imagens obtidas com o telescópio do ESO, localizado no Chile. As observações foram planejadas cuidadosamente e levadas a cabo por uma equipe internacional de astrônomos de várias universidades, principalmente de França, Bélgica, Espanha e Brasil, que utilizaram, entre outros, o telescópio robótico TRAPPIST (sigla do inglês TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope), também instalado em La Silla.
Telescópio robótico vai procurar cometas e exoplanetas
"Observar ocultações de pequenos corpos do Sistema Solar situados além de Netuno requer grande precisão e planejamento. Esta é a melhor maneira de medir o tamanho de Éris, além de ir até lá, é claro," explica Bruno Sicardy, o autor principal do trabalho.
As observações da ocultação foram feitas em 26 locais diferentes espalhados por toda a Terra e que se encontravam na trajetória prevista da sombra do planeta anão - incluindo alguns telescópios de observatórios amadores.
No entanto, só foi possível observar o evento diretamente em dois lugares, ambos situados no Chile: um no Observatório de La Silla do ESO com o telescópio TRAPPIST e o outro em São Pedro de Atacama, onde se utilizaram dois telescópios. Os três telescópios registraram uma diminuição do brilho da estrela distante correspondente à altura em que Éris bloqueou a sua radiação.
As observações combinadas dos dois locais chilenos indicam que Éris tem uma forma praticamente esférica. Estas medições são bastante precisas no que dizem respeito à forma e ao tamanho do objeto, mas apenas se não tiverem sido distorcidas pela presença de montanhas altas, o que dificilmente existirá num corpo gelado tão grande.

Nenhum comentário:
Postar um comentário