Pergunta: porque a galinha atravessou a rua?
Resposta: para chegar ao outro lado…
Dentro duma piada uma profunda verdade. Explorar é necessário.
A curto prazo exploramos o espaço por competição e prestígio. E obtemos sub-produtos que incrementam o nosso bem-estar e o nosso conforto:
- melhores previsões meteorológicas e de catástrofes
- fiscalização mais rigorosa de colheitas e transportes
- melhores meios de navegação na superfície e acima desta
- comunicações muito mais avançadas, rápidas e volumosas
A médio prazo (alguns séculos) teremos acesso a recursos materiais e energéticos gigantescos, muito para lá do que agora obtemos dum só planeta.
- mineração e refino de materiais de asteroides e satélites
- fabrico em micro-gravidade e em vácuo de alta qualidade
- coleta e/ou produção e transmissão de energias imensas
A longo prazo a evolução do próprio Ser Humano.
O espaço será a nossa penúltima fronteira.
Mas a premissa da pergunta está fundamentalmente errada.
Em Portugal temos uma figura metafórica que é o "Velho do Restelo".
Quando as caravelas partiam do Terreiro do Paço em Lisboa era o "Velho do Restelo" que ficava em terra escarnecendo dos navegantes e exploradores que iam à procura de Novos Mundos e lucrativos negócios. Para ele a empreitada era fútil e estava condenada ao fracasso.
Mas, como agora sabemos, o "Velho do Restelo" acabou pobre e 'a ver navios'.
"Não podemos viver no espaço"? Ledo engano. Enorme falta de imaginação.
Poderia um Neandertal sobreviver se largado sem proteção no Oceano?
E se lhe dessemos uma jangada e mantimentos?
E se lhe dessemos velas e o ensinássemos a navegar?
Um Homo Sapiens sem proteção no vácuo do espaço morrerá num minuto.
Com um fato espacial sobreviverá dalgumas horas a alguns dias.
Numa cápsula pressurizada com reciclagem de ar, e mesmo com mantimentos, morrerá por radiação em semanas.
Com blindagem e reciclagem total (ar, água e alimentos) ficará inutilizado pela micro-gravidade num par de anos.
Tudo depende da infra-estrutura que tenha para se proteger.
Num Habitat espacial com blindagem, energia, ecologia fechada e gravidade artificial pode viver indefinidamente, dependendo da perfeição da reciclagem e da eficácia da manutenção. Até com mais conforto, estabilidade e segurança que na Terra, não mais sofrendo com fenómenos climáticos ou tectónicos.
Estaleiro de Construção sob Microgravidade
Um planeta como a Terra, ao se formar inicialmente como uma bola em fusão, teve muitos dos seus materiais mais densos migrando para o seu interior, ficando para sempre sequestrados no seu manto e no seu núcleo.
Um asteroide como 16 Psyche, um núcleo metálico dum planeta possivelmente abortado, tem milhões de vezes mais metais do que jamais poderemos extrair da crosta Terrestre.
Asteroide 16 Psyche
Mas assim como no tempo das caravelas os materiais de construção emblemáticos eram as madeiras, e hoje em dia são os metais, é bem possível que futuros materiais de construção tenham mais a ver com Carbono e Silício (em elementos estruturais feitos com as ligações químicas mais fortes possíveis).
E na realidade os asteroides mais comuns são os carbonáceos (Carbono) e os pétreos (Silício). Assim, e ao que parece, os Cinturões de Asteróides e de Kuiper e a Núvem de Oort (voláteis) parecem ter sido feitas de encomenda para a nossa expansão.
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