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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Por que as sondas que visitaram o sistema solar exterior como Cassini, Juno não utilizaram o sol e sua colossal assistência gravitacional para obter uma aceleração muito maior do que a obtida com vênus e a terra?

 

No Sistema Solar tudo roda em torno do Sol.

Quer os planetas, quer as naves.

Isto parece óbvio.

O que já talvez não seja tão óbvio é que uma nave em órbita em torno do Sol (com o Sol como foco) nunca conseguirá executar uma manobra de assistência gravitacional trocando momento com o próprio Sol.

O Sol só poderia ser útil a uma nave interestelar (vinda de outra estrela, numa hipérbole louca) que se aproveitasse da velocidade relativa do Sol para lhe roubar momento, e o Sol teria que estar viajando na direção geral em que a nave quereria acelerar.

Foi o que se passou, por exemplo com as sondas Voyager 1 e 2 relativamente aos gigantes gasosos.

Lançadas da Terra em longas elípses, passaram por detrás de Júpiter, ganhando velocidade (enquanto se aproximavam lentamente sendo atraídas por aquele por bastante tempo) e perdendo bem menos ao se afastarem mais rápido (e por menos tempo, sob a gravidade deste gigante gasoso).

Numa trajetória já bem mais alongada, tornaram a repetir a proeza ao se deixarem atrair por Saturno e, após 'raspar' por trás deste, sairem ainda mais 'disparadas' e breves.

A Voyager 2 ainda voltou a repetir a 'brincadeira' com Urano e Neptuno.

Assim ambas as sondas adquiriram velocidades superiores à de escape do Sistema Solar.

Estas épicas missões foram planejadas nos anos de 1970 para tirarem partido dum propício 'alinhamento' dos gigantes gasosos que só se repetiria 175 anos depois.


Para melhor compreender como uma manobra de assistência gravitacional funciona, imagine que você está numa estação de trem e atira uma bola de ténis com a velocidade de 30 Km/h a um trem que se aproxima a 50 Km/h.

Do ponto de vista do maquinista a bola chega a 80 Km/h e ressalta do trem aos mesmo 80 Km/h.

Já você, que atirou a bola a 30 Km/h, verá a bola ricochetear a 130 Km/h (50 do trem mais os 80 tal como o maquinista a viu sair depois do ricochete).


Na realidade os momentos (velocidade) da sonda e do planeta somados são os mesmo antes e depois do encontro, mas a sonda ganhou momento que o [muitíssimo maior] planeta perdeu. E se formos medir a velocidade do planeta antes e depois talvez encontremos alguns micrómetros por século de diferença…

E quanto será que o choque da bola de ténis terá retardado o trem?

Quase nada. Tão pouco que é difícil medir.

O papel do Sol é o da estação de trem em relação à qual a bola se move a 30 Km/h.

Se a atirarmos contra a estação a que velocidade ela ricocheteará?

Ganhará alguma velocidade?

Claro que não.

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