O modelo de átomo de Rutherford, de 1911, fez imenso sucesso, mas já nasceu manco.
Imagine este modelo: prótons e nêutrons grudados formam o núcleo do átomo ao redor do qual orbitam os elétrons.
Na época, os físicos já conheciam as equações de Maxwell e já se sabia do eletromagnetismo. Portanto, já se sabia que um elétron girando cria ondas eletromagnéticas - é assim que funciona qualquer transmissor de ondas eletromagnéticas: gera-se uma corrente de elétrons em um fio elétrico em forma de bobina.
A pergunta dos físicos era então: por que o átomo não irradia eletromagnetismo? E muito pior ainda: se ele irradia eletromagnetismo, deveria perder energia e cair no núcleo. Físicos até calcularam o tempo para que um elétron em órbita entrasse em espiral e caisse no núcleo por perda de energia: um centésimo de bilionésimo de segundo.
Esta seria a duração de um eventual universo que seguisse o modelo de átomo de Rutherford!
Para piorar ainda, por que é que os prótons positivos do núcleo não atraíam os elétrons negativos em órbita? Nada fazia sentido.
Isto foi em 1911 e o problema ficou em aberto por anos, ninguém conseguia pensar em um modelo que funcionasse.
A solução foi surpreendente.
Em 1924, de Broglie sugeriu que, do mesmo jeito que se conhecia a dualidade onda-partícula da luz, deveria existir a dualidade partícula-onda do elétron.
Finalmente, pouco tempo depois, Schrödinger, de Broglie e Heisenberg sugeriram um modelo aceitável: o elétron, quando está próximo ao núcleo atômico, se comporta como onda e não como partícula.
Faltou só explicar por que, quando observamos um elétron, ele se comporta como partícula, com posição fixa.
A solução de contorno foi a "Interpretação de Copenhagen". Ela diz basicamente, gostemos ou não:
- Não faz sentido se perguntar onde estava uma partícula antes da medição;
- O ato de observar provoca o colapso da função de onda, isto é, o que se observa é uma partícula com posição definida.
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