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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Como é que a migração de um sistema solar do centro da galáxia para regiões mais externas afeta a sua formação planetária?

 O nosso Sistema Solar começou num enxame estelar — de perto de 10.000 estrelas e com 3.000 massas solares, um aglomerado (cluster) de estrelas — que se encontrava bem mais próximo do centro da nossa galáxia.

Devido a vários efeitos gravitacionais próximos e distantes, o nosso sistema (desde a sua fase de nebulosa em contração) migrou bastante cedo para onde estamos hoje. Porém não 'nascemos' totalmente no centro da nossa galáxia — onde hoje está um buraco negro supermassivo (Sagittarius A*, abreviado como Sgr A*) e que naquela época pode muito bem ter sido um agressivo Quasar.

Como estávamos mais próximos do centro da galáxia, o nosso sistema acumulou mais elementos pesados. Também ganhámos um perfil particular de elementos devido à exposição a quatro supernovas diferentes ao longo do caminho, uma delas de tipo bastante raro (Wolf-Rayet).

Por exemplo, a nossa Terra contém 610 vezes mais Tório e 480 vezes mais Urânio do que outros planetas que conhecemos (elementos muito críticos para a habitabilidade da Terra).

Assim, acontece que os nossos planetas são um pouco diferentes em perfil químico, bem como na sua configuração orbital de planetas rochosos (internos) e gigantes gasosos (externos) e gelados.

De facto, dos mais de 4.000 sistemas de exoplanetas que analisámos (4.340 deles), nenhum deles é como o nosso. Têm planetas algo semelhantes, mas a nossa configuração é bastante diferente e única, permitindo uma vida avançada de uma forma quase única. Por exemplo, em muitos outros sistemas, o seu “Júpiter” orbita a sua estrela a uma distância de metade do tamanho orbital do nosso Mercúrio!!! As suas superterras são demasiado grandes para proteção magnética. Os seus planetas rochosos apresentam frequentemente movimentos de maré sincronizados (órbitas mutuamente ressonantes), e assim por diante.

Saibam que o nosso Sistema Solar, uma estrela do tipo G, é uma grande aberração comparado ao que vemos “lá por fora”. Isto é causado em grande parte pela nossa situação no nosso local de origem e pela distância atual do centro da nossa galáxia.

Se não nos tivéssemos movido, não estaríamos a falar sobre isso, pois a radiação tão próxima do centro da Via Láctea seria suficiente para impedir a vida [tal como a conhecemos] de surgir e evoluir.

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