Um novo estudo propõe uma ideia fascinante: as fracas ondulações no espaço-tempo que surgiram nos primeiros instantes do Universo podem ter sido responsáveis pela criação da matéria escura, um dos maiores mistérios da física atual
Imagem via NASA
De acordo com a pesquisa liderada pelo professor Joachim Kopp, da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, em parceria com a Dra. Azadeh Maleknejad, da Universidade de Swansea, no Reino Unido, as chamadas ondas gravitacionais estocásticas – um tipo de “ruído de fundo? de ondas gravitacionais que preenchia o cosmos logo após o Big Bang – teriam se convertido parcialmente em partículas de matéria escura.
Para entender o contexto, vale lembrar que tudo o que vemos no dia a dia – planetas, estrelas, árvores, pessoas – é feito de matéria comum, que representa apenas cerca de 4% do Universo. A matéria escura, invisível, corresponde a aproximadamente 23% de tudo o que existe. Ela influencia a formação das galáxias e das grandes estruturas cósmicas, mas os cientistas ainda não sabem exatamente do que ela é feita.
As ondas gravitacionais são distorções no tecido do espaço-tempo, geralmente geradas por eventos violentos, como a colisão de buracos negros. Já as ondas estocásticas são mais fracas e surgiram de processos gerais no Universo primordial, como transições de fase da matéria quando o cosmos esfriava ou campos magnéticos antigos.
Os pesquisadores sugerem que essas ondas poderiam ter produzido partículas leves chamadas férmions (semelhantes a elétrons ou quarks, mas sem massa ou com massa muito pequena no início). Com o tempo, essas partículas teriam ganhado massa e se transformado no que hoje conhecemos como matéria escura.
Essa é uma nova forma de explicar a origem da matéria escura que ainda não havia sido explorada. O estudo, publicado na revista “Physical Review Letters”, abre um caminho interessante para pesquisas futuras, incluindo simulações mais precisas e a investigação de outros efeitos que as ondas gravitacionais podem ter causado no Universo jovem.
Em resumo, o que antes eram apenas ondulações invisíveis no espaço pode ter ajudado a moldar uma das componentes mais importantes e misteriosas do nosso cosmos.
Terrarara.com.br
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