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quarta-feira, 1 de abril de 2026

O motor magnético escondido do sol

 Cientistas finalmente conseguiram identificar onde fica o verdadeiro “motor” que gera o poderoso campo magnético do Sol

Diagrama da atmosfera interna e externa do Sol, mostrando o núcleo, as zonas radiativas e de convecção – separadas pela tacoclina – e características da superfície como manchas solares, erupções, a cromosfera e a coroa. Imagem via NASA

Esse mecanismo essencial, responsável pelo ciclo de atividade solar que dura cerca de 11 anos, não está perto da superfície visível, como muitos modelos anteriores imaginavam, mas bem mais fundo, a aproximadamente 200 mil quilômetros de profundidade – uma distância equivalente a cerca de 16 vezes o diâmetro da Terra alinhados um após o outro.

Pesquisadores do New Jersey Institute of Technology analisaram quase 30 anos de dados coletados por instrumentos da NASA e redes terrestres. Eles usaram a heliosseismologia, uma técnica que estuda as ondas sonoras produzidas pelo movimento turbulento do plasma dentro do Sol, como se fossem uma espécie de “ecografia” estelar.

Essas ondas viajam pelo interior da estrela e sofrem pequenas alterações de velocidade dependendo dos fluxos de material e da rotação em diferentes camadas. Com bilhões de medições acumuladas ao longo de três ciclos solares completos, a equipe mapeou padrões de movimento que formam faixas rotacionais em forma de borboleta – exatamente o mesmo formato que as manchas solares desenham na superfície ao longo do tempo.

O ponto central da descoberta é uma camada fina e especial chamada tacoclina, situada na fronteira entre a zona convectiva externa (onde o plasma quente sobe e desce de forma agitada) e a zona radiativa interna (mais estável). Nessa região, a velocidade de rotação do Sol muda bruscamente, criando forças de cisalhamento intensas que torcem e amplificam o campo magnético, funcionando como o verdadeiro dínamo solar.

Até agora, os cientistas suspeitavam que a tacoclina tinha um papel importante, mas faltavam provas observacionais diretas e claras. Com esses novos dados de longo prazo, ficou evidente que o “motor” magnético nasce ali embaixo. Os fluxos rotacionais começam nessa profundidade e demoram anos para chegar à superfície, o que explica por que há um atraso entre as mudanças internas e a aparição de manchas solares, erupções e outras manifestações visíveis.

Essa revelação ajuda a entender melhor como o Sol inverte sua polaridade magnética a cada 11 anos e como surgem os períodos de maior ou menor atividade. Além de avançar o conhecimento sobre nossa estrela, o estudo melhora as perspectivas de prever eventos de clima espacial – como grandes ejeções de massa coronal que podem perturbar satélites, redes elétricas, comunicações e sistemas de navegação aqui na Terra.

Embora ainda não permita previsões exatas de ciclos futuros, a descoberta reforça a necessidade de incluir toda a zona convectiva, especialmente a tacoclina, nos modelos computacionais atuais, que muitas vezes se limitavam às camadas mais superficiais. O trabalho também abre caminho para compreender ciclos magnéticos em outras estrelas da galáxia, já que o Sol serve como o melhor laboratório próximo que temos para estudar esses fenômenos.

Terrarara.com.br

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