Astrônomos detectaram o clarão mais poderoso já vindo de um buraco negro, e ele atravessou 10 bilhões de anos-luz para chegar até nós.
O protagonista dessa história é o J2245+3743, um buraco negro supermassivo com cerca de 500 milhões de vezes a massa do Sol. Ele fica no centro de uma galáxia ativa, região já naturalmente violenta e brilhante.
Em 2018, telescópios que vasculham o céu notaram algo estranho: o brilho desse objeto disparou mais de 40 vezes em poucos meses. No pico, a luz emitida equivalia a impressionantes 10 trilhões de Sóis.
Não é uma simples oscilação de brilho. A energia total liberada até agora chega a algo em torno de 10⁵⁴ ergs — o que seria como converter toda a massa do Sol diretamente em luz.
A explicação mais plausível para um evento tão extremo é uma ruptura por maré. Uma estrela gigantesca, provavelmente com mais de 30 massas solares, chegou perto demais e foi literalmente despedaçada pela gravidade do buraco negro.
O mais surpreendente é que a explosão ainda está perdendo intensidade anos depois. Mas como o clarão está a uma distância imensa, a expansão do Universo dilata o tempo. Para nós, passaram-se sete anos, enquanto no local do evento viveram-se apenas cerca de dois.
Essa não é apenas uma explosão recordista. Ela pode ser a evidência mais clara até agora de que estrelas que habitam os discos de buracos negros ativos conseguem crescer até tamanhos colossais e, então, encontrar o fim mais extremo possível.
Fonte: Graham et al., "An extremely luminous flare recorded from a supermassive black hole", Nature Astronomy (2025)
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