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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Qual é a foto motivo de orgulho dos astrônomos?

Esta é uma das melhores fotos de Júpiter, tirada em 2020, registrando o trânsito do satélite Io e a sombra de Io sobre Júpiter, com vários detalhes de diferenças de albedo na superfície de Io, e a Grande Mancha Vermelha também está na face visível. Na foto também se pode notar claramente o achatamento do planeta, que pode ser medida em cerca de 1/16,2, muito perto do valor correto, 1/15,43.

Uma de minhas melhores fotos de Saturno, registrando claramente o hexágono no polo Norte, o anel-C, demarcações de 6 outros anéis, inclusive a divisão de Encke. Além disso, estão na foto dois de seus maiores satélites, Tétis e Dione. O achatamento do planeta também está facilmente perceptível, mas não tão fácil de medir devido à inclinação do equador em relação ao nosso ângulo de visão.

Minha foto de Marte durante a oposição periélica de 2020 com seus dois pequenos satélites Fobos e Deimos (que em grego significam "medo" e "terror", filhos do deus da guerra). Para que os satélites se tornem visíveis, é necessário testar várias configurações no ajuste do brilho, porque se aumentar demais, o brilho do planeta ofusca Fobos, e se não aumentar o suficiente, eles não aparecem. Além disso, devido à rápida translação (Fobos gira em torno de Marte completando uma volta em menos de 10h), em poucos minutos ele desapareceria atrás ou sobre o disco brilhante do planeta.

Mais uma de Marte, dessa vez sem estourar no brilho, evidenciando vários detalhes da superfície marciana. O detalhe mais notável é o gigantesco vulcão inativo Elysium, com 14 km de altitude em relação ao nível do elipsoide e 16 km acima da planície adjacente, quase duas vezes a altura da maior montanha da Terra, embora Marte tenha pouco mais que metade do diâmetro da Terra (neste caso o termo é razoavelmente aplicável). Também foram registradas várias nuvens orográficas (manchas brancas, exceto a calota), a calota polar Sul bem pequena no Verão periélico em Marte (em outras fotos, ela aparece muito maior), diversas regiões de diferença de albedo bem delimitadas. Também assinalei os locais de pouco dos veículos enviados por humanos nesta face de Marte. Perseverance, na borda superior de Syrtis Major, estava quase desaparecendo com a rotação, se a foto fosse feita alguns minutos depois, já não estaria na face visível.

Mercúrio é um objeto difícil de fotografar e principalmente de registrar algum detalhe. No livro "Gênios da Humanidade", Asimov comenta q talvez Copérnico nunca tenha observado Mercúrio. A dificuldade é q por ele ter órbita interna à da Terra e estar muito perto do Sol, seu afastamento aparente do Sol fica limitado a cerca de 28º, ou seja, nas condições mais favoráveis, ele fica acima do horizonte cerca de 55 minutos antes do nascer do Sol ou 55 minutos depois do por-do-Sol, numa região ainda bastante clara do céu. Apesar disso, depois que ele foi localizado, é possível continuar observando-o mesmo que o Sol esteja no céu, devido ao seu grande brilho de superfície. Neste registro podemos ver algumas manchas de albedo na superfície.

Foto de Sírius A e Sírius B, numa posição favorável. Quando Sírius B se encontra mais próxima, fica mais difícil registrá-la pq fica ofuscada. Sírius B é um objeto muito interessante, é uma estrela "morta" que colapsou após terminar seu combustível nuclear, tornando-se uma anã-branca, tal como ocorrerá com nosso Sol daqui a cerca de 7 bilhões de anos. Ela tem aproximadamente o tamanho da Terra, mas sua massa é cerca de 300.000 vezes maior. Um artigo com uma descrição resumida do processo como uma estrela "normal" da sequência principal se transforma numa anã-branca pode ser encontrado em alguns de meus artigos em Sistema Automático de Investimento | Saturno V

Esta é uma de minhas fotos favoritas pelo significado. Esta pequena estrela em close no canto superior direito é a cefeida que foi usada por Hubble no início do século XX para calcular a distância até Andrômeda, utilizando o método desenvolvido por Henrietta Levitt, q serviu possibilitou a descoberta da expansão do Universo, bem como a determinação da escala do Universo.

Esta também é uma foto de que gosto muito, registrando a conjunção entre Plutão e Pasífae. Em 1610, quando Galileu começou a utilizar o primeiro telescópio, foram descobertos os primeiros satélites orbitando outro planeta, bem como foi estabelecido o conceito de "satélite" por Kepler. Até então, a Lua era considerado um planeta. Galileu observou 4 satélites em torno de Júpiter, e por quase 300 anos não foi descoberto mais nenhum satélite em Júpiter. Foram descobertos satélites em Saturno, Marte, Urano, Netuno, até satélites que não existiam foram "descobertos" em Vênus, mas Júpiter continuava com apenas 4 satélites conhecidos. Em 1892 foi descoberto o 5º satélite de Júpiter, Amaltéia, e nos anos seguintes foram descobertos mais alguns pequeninos objetos na órbita de Júpiter, entre os quais Pasífae, descoberto em 1908, sendo o 8º satélite conhecido. Neste caso temos uma conjunção insólita em que Pasífae e Plutão chegaram muito perto um do outro (sob a perspectiva de um observador situado na Terra), separados por uma distância angular menor do que 1 grau. Para se ter ideia, a distância aparente de Pasífae a Plutão ficou menor do que a distância aparente de Pasífae a Júpiter, embora Pasífae seja satélite de Júpiter. São raras as fotos amadoras de Amaltéia, geralmente as fotos amadoras só incluem os 4 satélites galileanos, e mais raras ainda são as fotos dos outros satélites de Júpiter, e nesse caso, tem o detalhe especial de Plutão estar no mesmo campo.

O cometa de Encke foi o segundo cujo período orbital foi determinado (o primeiro foi o cometa de Halley) e tem outras peculiaridades interessantes: tem o período orbital mais curto de um cometa, apenas 3,3 anos, e há estudos q sugerem que o evento ocorrido em Tunguska, em 1908, foi provocado por um fragmento do cometa de Encke. Nesta foto aparece também o aglomerado Pac-Man, devido à similaridade com o personagem do videogame.

Estas foram as melhores fotos que tirei dos 4 maiores satélites de Júpiter: Io, Europa, Ganímedes e Callisto. Nos casos de Io e Ganímedes pode-se reconhecer grande quantidade de features em suas superfícies. Esta imagem foi ampliada com o uso do GigaPixel, um software que utiliza Inteligência Artificial e produz resultados muito interessantes. Para enxergar estes satélites como aparecem na foto, seria necessário usar um telescópio com 101,6 m de distância focal (mais de 100 m comprimento se fosse um refrator), mas foram produzidas usando um telescópio amador com apenas 2,54 m de distância focal e 2,49x de zoom óptico com uma Barlow Celestron Ultima 2x. As diferenças de albedo em Callisto não correspondem ao que seria esperado, e provavelmente várias são artefatos. Em Europa há poucos detalhes visíveis, mas parecem ser reais, não são artefatos. Para cada um destes satélites, foram empilhadas 140.000 fotos, para melhorar a relação sinal/ruído e conseguir extrair mais detalhes. Foram 15 a 20 minutos de captura à taxa de 120 frames por segundo em cada, e várias etapas de processamento posterior para fazer emergir o máximo de detalhes reais e filtrar os artefatos, mesmo assim ainda há alguns artefatos em Io (uns 15%) q não correspondem à imagem esperada e vários artefatos em Callisto. Até os anos 1980, nem com os maiores telescópios do mundo se conseguia imagens destes satélites com este nível de detalhes.

Foto de Io que tirei em 2020, comparada com foto tirada pela sonda espacial Voyager II, que passou perto de Io em 1979. Pode-se identificar vários detalhes na superfície de Io.

Foto de Marte, cerca de 2 meses antes da oposição periélica, quando a calota polar Sul começou a sublimar devido à aproximação de Marte ao Sol. Diferentemente da Terra, cujas estações do ano são predominantemente determinadas pela inclinação do eixo axial, no caso de Marte as estações são determinadas principalmente pela variação de sua distância ao Sol, isso pq a excentricidade orbital da Terra é de apenas 0,0167 enquanto a excentricidade orbital de Marte é de 0,0934. Algumas semanas antes, não havia a mancha escura no meio da região branca. No dia que a calota começou a derreter, o evento foi registrado pelo amigo Carlos Alberto Palhares, que também participa de um grupo com os 25 melhores astrofotógrafos planetários do Brasil. Aqui estava nublado e não consegui fazer registros, mas alguns dias depois fiz esta foto na qual se pode observar um estágio já razoavelmente avançado da sublimação,, bem como se pode observar algumas nuvens orográficas nas regiões próximas. Também está visível na imagem, perto da borda superior direita, o maior vulcão e também maior montanha do Sistema Solar, o Monte Olimpo, com 26 km de altitude em relação à planície em q se encontra e 24 km acima do nível do elipsoide. Embora Marte tenha órbita externa à da Terra, como não fica muito mais distante que a Terra, ele apresenta fases (exceto a fase equivalente à "Lua nova", obviamente). Por isso a borda direita não está iluminada. O mesmo efeito ocorre com todos os planetas, mas quanto mais distante, menor é a porcentagem que chega a ficar em sombra. Na foto de Júpiter, por exemplo, também se pode observar sutilmente este efeito na borda esquerda.

Embora nestas ocasiões, com este ângulo de iluminação, Marte ainda esteja bem mais distante do que na oposição, o ângulo de incidência dos raios solares favorece a observação de acidentes topográficos. No caso do Monte Olimpo, por exemplo, a sombra contrasta melhor com a região iluminada do que quando Marte está em oposição.

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