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segunda-feira, 1 de junho de 2026

É possível um planeta gerar energia bastante internamente para criar vida e uma atmosfera sem necessitar de um sol e vagar pelo universo livre de restrições orbitais?

 

Talvez.

Existem pelo menos três formas de um planeta gerar energia internamente, sem receber luz e calor de uma estrela ou outro astro externo:

1- Através da contratação gravitacional. Neste caso a própria massa do planeta comprime o material no seu interior gerando calor, o qual o mantém o astrro "inflado" enquanto o calor não migrar para a superfície e for dissipado para o espaço. Se o planeta for massivo o suficiente este processo pode manter seu interior aquecido por muitos bilhões de anos. Até onde se sabe planetas com estas características são gigantes gasosos semelhantes a Júpiter (que de fato emite mais energia do que recebe do sol), sem uma superfície sólida. Mas em uma certa faixa de profundidade em sua atmosfera as temperaturas serão compatíveis com a vida e esta será possível se os elementos necessários (carbono, oxigênio, nitrogênio , etc.) estiverem presentes.

2- Através do decaimento radioativo. Isso ocorre em planetas ricos em materiais radioativos naturais, como urânio e tório. Estes elementos geram calor enquanto decaem, e este calor pode manter o núcleo do planeta aquecido e gerar vulcões, gêiseres e fumarolas, que propiciam energia para que seres vivos possam se manter. Algumas formas de vida podem até mesmo utilizar diretamente a radiação ionizante emitida pelos materiais radioativos como fonte de energia, assim como as plantas fotossintéticas utilizam a luz. Estes processos ocorrem até mesmo aqui na Terra, embora em baixa intensidade. Mas planetas com maiores níveis de elementos radioativos talvez pudessem manter uma biosfera rica como a da Terra utilizando apenas a energia radioativa.

3- Deformação gravitacional. No caso de planetas duplos ou sistemas planeta-lua o chamado "efeito de maré" causa uma deformação intermitente do planeta, o que gera calor e alimenta processos geotérmicos. E estes processos podem sustentar a vida, como já descrito no ítem anterior. Aqui mesmo em nosso sistema solar várias luas como Europa, Calisto, Ganimedes e Encélado mostram sinais de possuir oceanos sub-superfície com água mantida no estado líquido por este processo. Mundos maiores poderiam talvez gerar calor suficiente para manter a água líquida nas suas superfícies, quem sabe permitindo o surgimento de ecossistemas complexos sobre elas mesmo sem a proximidade de uma estrela para aquecê-los.

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