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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O primeiro dia do fim do Universo


Daqui a alguns bilhões de anos, todas as galáxias vão ter se afastado tanto da nossa que não vai dar pra ver nenhuma daqui. Com nenhum equipamento: elas vão se afastar a uma velocidade maior que qualquer luz ou qualquer outro tipo de informação que emitam – raios-x, ondas gravitacionais; qualquer coisa.

É o que já acontece com as galáxias fora do universo observável. A região mais distante que um telescópio pode observar fica a 46 bilhões de anos-luz daqui (para comparar, as estrelas que formam as Três Marias ficam a pouco mais de mil anos-luz). A luz das galáxias mais distantes começou a viagem delas até os nossos olhos há pouco mais de 13 bilhões de anos, quando o Universo era jovem e compacto. Nessa época, essas galáxias mais distantes e o lugar que a Terra ocuparia estavam mais próximos. Só que o Cosmos se expande. Enquanto a luz delas caminhava pelo espaço a 1 bilhão de km/h, a distância que essa mesma luz teve de percorrer para chegar até aqui foi aumentando. Em 13 bilhões de anos, ela esticou de alguns anos-luz de distância para acachapantes 46 bilhões de anos-luz.

Essa é a beirada do universo conhecido. E as galáxias que estão além dessa beirada? Não dá para enxergar nenhuma. Jamais dará. Quanto mais longe está um corpo celeste, mais rápido ele se afasta de nós – a taxa de expansão do tecido do Cosmos cresce com a distância. Bom, nada pode se mover através do espaço mais rápido que a luz (1,08 bilhão de km/h), como Einstein descobriu. Mas tem um detalhe: para o espaço em si não há limite. Ele pode se expandir a qualquer velocidade. E além da barreira dos 46 bilhões de anos-luz de distância, essa velocidade é maior que a da luz. Tudo o que houver além desse ponto está fora do nosso escrutínio.

Existem galáxias – e estrela e planetas – por lá? Provavelmente sim. Mas se em vez de galáxias houver elefantes cor-de-rosa gigantes, não temos como saber. Tem até uma teoria bacana, que diz que, lááááá longe, existem cópias idênticas da Via Láctea, do Sol, da Terra, de você. Mas de novo: jamais vamos saber.

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