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terça-feira, 24 de março de 2026

Não estamos sozinhos: nosso Sol escapou do centro galáctico junto com estrelas "gêmeas".

  Pesquisadores descobriram evidências de que o nosso Sol fez parte de uma migração em massa de "gêmeos" semelhantes que deixaram as regiões centrais da nossa Galáxia, entre 4 e 6 bilhões de anos atrás. A equipe criou e estudou um catálogo de estrelas e suas propriedades com uma precisão sem precedentes, utilizando dados do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia. Essa descoberta lança luz sobre a evolução da nossa Galáxia, particularmente sobre o desenvolvimento da estrutura rotativa em forma de barra em seu centro. 

Uma migração em massa de estrelas gêmeas. Estrelas semelhantes ao nosso Sol formam uma migração em massa a partir do centro da Via Láctea, ocorrida aproximadamente entre 4 e 6 bilhões de anos atrás. (Crédito: NAOJ)  

Enquanto a arqueologia na Terra estuda o passado da humanidade, a arqueologia galáctica rastreia as vastas jornadas das estrelas e galáxias. Por exemplo, os cientistas sabem que o nosso Sol nasceu há cerca de 4,6 bilhões de anos, mais de 10.000 anos-luz mais perto do centro da Via Láctea do que estamos hoje. Embora estudos sobre a composição das estrelas apoiem essa teoria, isso tem sido um enigma para os cientistas. Observações revelam uma enorme estrutura em forma de barra no centro da nossa galáxia, que cria uma "barreira de corrotação", dificultando a fuga de estrelas tão distantes do centro.

Então, como chegamos até aqui? Para responder a essa pergunta, uma equipe liderada pelos professores assistentes Daisuke Taniguchi, da Universidade Metropolitana de Tóquio, e Takuji Tsujimoto, do Observatório Astronômico Nacional do Japão, realizou um estudo sem precedentes sobre "gêmeas" solares, estrelas que possuem temperatura, gravidade superficial e composição muito semelhantes às do nosso Sol.

Eles utilizaram dados coletados pela missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, um conjunto impressionante de observações que abrange dois bilhões de estrelas e outros objetos. Criaram um catálogo com 6.594 "gêmeas" estelares, uma coleção cerca de 30 vezes maior do que as de levantamentos anteriores.

A partir dessa imensa lista, eles conseguiram obter a imagem mais precisa até o momento das idades dessas estrelas, corrigindo cuidadosamente o viés de seleção de estrelas mais fáceis de observar. Analisando a distribuição das idades, notaram um pico amplo para estrelas com idades entre 4 e 6 bilhões de anos: isso inclui o nosso Sol e é uma evidência da existência de estrelas semelhantes, de idade similar, posicionadas a aproximadamente a mesma distância do centro da Galáxia. Isso significa que o nosso Sol não está em sua posição atual por acaso, mas como parte de uma migração estelar muito maior.

Essa descoberta lança luz não apenas sobre a natureza do nosso Sistema Solar, mas também sobre a evolução da própria Galáxia. A barreira de corrotação criada pela estrutura em barra no centro galáctico não permitiria uma fuga de massa dessa magnitude. No entanto, a história muda se a barra ainda estivesse em formação na época. As idades de nossas estrelas "gêmeas" revelam não apenas quando a fuga de massa ocorreu, mas também o período em que a barra estava se formando.

O centro da Galáxia é um ambiente muito menos hospitaleiro para a evolução da vida do que as regiões externas. As descobertas da equipe, portanto, esclarecem um fator crucial sobre como nosso Sistema Solar, e consequentemente nosso planeta, se encontraram em uma região da Galáxia onde os organismos puderam se desenvolver e evoluir.

No futuro, a equipe espera usar observações precisas de estrelas com idade semelhante à do Sol para procurar estrelas que nasceram perto da mesma época e local que o Sol, a fim de determinar o ponto de origem e a rota de deslocamento da migração em massa. Espera-se que a missão de satélite astrométrico JASMINE, desenvolvida pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão, contribua para esta pesquisa.

Nao.ac.jp

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