Imagine um companheiro invisível, com a massa de quase 10 sóis, orbitando uma estrela muito parecida com a nossa. Esse é o Gaia BH1, o buraco negro mais próximo da Terra já confirmado. Ele está a "apenas" 1.500 anos-luz de distância, na constelação de Ofiúco, o que o coloca firmemente dentro do nosso quintal cósmico.
A descoberta foi liderada pelo astrofísico Kareem El-Badry e utilizou dados da espaçonave Gaia, da Agência Espacial Europeia . O satélite detectou uma estrela que parecia "bambolear" no espaço. A única explicação para esse movimento era a presença de um objeto massivo e invisível puxando-a com sua força gravitacional . Observações posteriores com telescópios terrestres confirmaram a suspeita: era um buraco negro.
O mais intrigante é que o Gaia BH1 está adormecido . Diferente de outros buracos negros conhecidos, ele não está violentamente "engolindo" sua estrela companheira e, por isso, não emite raios-X brilhantes . A estrela orbita o buraco negro a uma distância segura, semelhante à que a Terra orbita o Sol .
Essa existência pacífica é um verdadeiro quebra-cabeça. Os modelos atuais de evolução estelar têm dificuldade para explicar como uma estrela massiva pôde colapsar para formar um buraco negro sem destruir ou expulsar sua companheira menor no processo . Para os astrônomos, o sistema é uma oportunidade única de estudar a física da gravidade extrema em um ambiente calmo .
A esperança é que o Gaia BH1 seja apenas a ponta do iceberg. Os cientistas acreditam que existam milhares, ou até milhões, de buracos negros adormecidos como esse escondidos na nossa galáxia, esperando para serem encontrados .
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