As sondas Voyager 1 e Voyager 2, lançadas pela NASA na década de 1970, fizeram uma descoberta impressionante ao alcançar o limite do Sistema Solar. Ao atravessarem a região conhecida como heliopausa, elas registraram temperaturas extremamente altas, chegando a dezenas de milhares de kelvin — valores que podem superar a temperatura da superfície do Sol.
A heliopausa é a fronteira onde o vento solar, um fluxo constante de partículas emitidas pelo Sol, encontra o meio interestelar, que é o material presente entre as estrelas. Esse choque cria uma região turbulenta de plasma extremamente aquecido, que alguns cientistas descrevem como uma espécie de “parede de fogo” na borda da heliosfera — a grande bolha protetora formada pela influência do Sol.
A Voyager 1 cruzou essa fronteira em 2012, enquanto a Voyager 2 fez o mesmo em 2018. As duas sondas registraram o mesmo aumento abrupto de temperatura, confirmando que o fenômeno é real. Elas também detectaram algo inesperado: o campo magnético fora da heliosfera está alinhado de forma semelhante ao campo dentro dela, algo que desafia modelos anteriores sobre a interação entre o Sol e o espaço interestelar.
Apesar das temperaturas extremas, as sondas não correm risco. Isso acontece porque a região é praticamente um vácuo, com pouquíssimas partículas. Embora essas partículas se movam em altíssimas velocidades — o que define a temperatura — elas são tão raras que não conseguem transferir calor suficiente para danificar uma nave espacial.
Quase 50 anos após o lançamento, as sondas Voyager continuam enviando dados científicos do espaço interestelar, oferecendo aos cientistas uma oportunidade única de estudar o ambiente além do Sistema Solar e entender melhor como nossa estrela interage com a vastidão da galáxia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário