domingo, 24 de maio de 2026
Um planeta onde o ano dura apenas 5 horas
Pequeno mundo gelado mantém dança gravitacional com Urano há 1 milhão de anos.
O ano mais longo do Sistema Solar
As sondas Voyager encontraram uma “parede de fogo” no limite do Sistema Solar
Os dois lados surpreendentes da Lua
Mercúrio pode esconder uma camada de diamantes sob sua superfície
O Lado Oculto do Sol Acabou de Perder o Mistério
O oceano oculto de Encélado é mais estável do que se imaginava
Somos Pó de Estrelas
Cientistas realizam teletransporte quântico entre dois prédios em Roma
Explosão cósmica bilionária desafia o que sabemos sobre as maiores detonações do universo
James Webb pode ter encontrado “estrelas de buraco negro” escondidas no universo primitivo
Cientistas encontram túnel subterrâneo gigantesco em Vênus
O Sol ainda tem 22 órbitas pela frente. E isso diz muito sobre o nosso lugar no cosmos.
A Via Láctea está ondulando como um lago cósmico, e os astrônomos acabaram de descobrir
Imagine jogar uma pedra em um lago. Ondas circulares se espalham pela superfície, certo? Algo parecido está acontecendo agora mesmo na nossa galáxia, mas em uma escala difícil de imaginar.
Cientistas usaram o telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia, para mapear milhões de estrelas com precisão inédita. O que eles encontraram foi surpreendente: uma onda gigantesca de estrelas se movendo através do disco da Via Láctea.
Essa ondulação se estende por uma região que vai de 30 mil a 65 mil anos-luz do centro galáctico. Para ter uma ideia, a galáxia inteira tem cerca de 100 mil anos-luz de largura. É como se um terço dela estivesse ondulando de forma coordenada.
As estrelas nessa região estão subindo e descendo acima e abaixo do plano da galáxia, formando um padrão de onda que se propaga pelo espaço. Os pesquisadores detectaram esse movimento estudando estrelas jovens e gigantes, além de estrelas variáveis chamadas Cefeidas, que funcionam como faróis para medir distâncias no cosmos.
A gente já sabia que a Via Láctea não é perfeitamente plana. Desde os anos 1950, astrônomos observam que o disco galáctico é levemente torto. Em 2020, o próprio Gaia mostrou que essa deformação oscila como um pião girando lentamente. Mas essa nova descoberta é diferente: revela um movimento muito mais dinâmico, uma verdadeira onda em ação.
E por que isso está acontecendo? Ninguém sabe ao certo ainda. A hipótese mais aceita é que uma colisão antiga com uma galáxia anã tenha provocado perturbações gravitacionais que ainda ecoam pelo disco da Via Láctea. Se for isso, nossa galáxia ainda está reagindo a um encontro cósmico que aconteceu há milhões de anos.
Ou seja, o lugar onde vivemos é muito mais vivo e turbulento do que imaginávamos. E o mais incrível: estamos surfando nessa onda sem nem perceber.
O Buraco Negro Silencioso que Vive ao Lado de uma Estrela Como o Sol
Teoria da Relatividade
Universo observável
O universo observável possui cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Isso significa que até a luz — a coisa mais rápida conhecida pela física — levaria bilhões de anos para atravessá-lo completamente. (nasa.gov)
Mas os números ficam ainda mais perturbadores quando começamos a visualizar nosso lugar dentro dessa escala absurda.
A Terra, que parece tão gigantesca para nós, praticamente desaparece quando observada de longe. Em 1990, a sonda registrou a famosa imagem “Pale Blue Dot”, mostrando nosso planeta como um minúsculo ponto perdido na escuridão do espaço. (nasa.gov)
Depois disso vem o, então a, contendo centenas de bilhões de estrelas. E nossa galáxia é apenas uma entre bilhões espalhadas pelo universo observável.
Estruturas ainda maiores, como o, fazem até a Via Láctea parecer insignificante. Quando cientistas criam mapas do universo observável, galáxias inteiras viram apenas pequenos pontos quase invisíveis.
E talvez exista algo ainda mais assustador: apesar dessa imensidão praticamente infinita, ainda não encontramos provas definitivas de vida inteligente fora da Terra.
Esse paradoxo ficou conhecido como. Em 1950, o físico resumiu a questão em uma frase simples: “Onde está todo mundo?”. (seti.org)
As possíveis respostas são inquietantes. Talvez civilizações inteligentes sejam extremamente raras. Talvez elas se destruam antes de alcançar viagens interestelares. Ou talvez o universo seja tão vasto que espécies inteligentes jamais consigam se encontrar.
No fim, o universo não é assustador apenas pelo tamanho. É assustador porque ele é tão gigantesco, antigo e silencioso que faz toda a existência humana parecer apenas um instante microscópico perdido no vazio cósmico.
A Terra está lentamente vazando sua atmosfera para a Lua – e isso revela uma cápsula do tempo de 4 bilhões de anos
Asteroide Bennu tem data prevista de possível colisão e energia igual a 22 bombas nucleares
Cientistas mantêm sob vigilância o asteroide Bennu, considerado um dos objetos espaciais com maior potencial de risco para a Terra. Monitorado desde 1999, ele voltou a despertar preocupação após novos cálculos alertarem para um possível impacto em meados de 2182.
Asteroide Bennu sob vigilância: risco de impacto em 2182 (Foto: Instagram) © JETSS
O corpo celeste possui uma probabilidade de colisão estimada em 1 em 2.700 (aproximadamente 0,037%), com data indicada para 24 de setembro de 2182. Apesar de remota, essa possibilidade tem levado a comunidade científica a aprofundar seus estudos sobre cenários de impacto.
De acordo com pesquisadores internacionais, caso a colisão ocorra, a energia liberada equivaleria a cerca de 22 bombas nucleares, com potencial de gerar danos globais significativos. Essa estimativa levou especialistas a avaliar os efeitos sobre áreas habitadas e regiões oceânicas.
Bennu possui cerca de 500 metros de diâmetro e aproxima-se da Terra a cada seis anos. Para compreender melhor suas características, a NASA lançou a missão OSIRIS-REx, que capturou amostras do asteroide e as trouxe à Terra em 2023.
Atualmente em análise, os materiais coletados têm fornecido informações valiosas sobre a composição de Bennu. A partir desses dados, cientistas pretendem desenvolver tecnologias de defesa planetária capazes de desviar objetos que representem ameaça futura.
Simulações climáticas indicam que um impacto com Bennu poderia lançar centenas de milhões de toneladas de poeira e partículas na atmosfera, bloqueando a luz solar. Esse fenômeno, conhecido como “inverno de impacto”, provocaria queda prolongada das temperaturas e redução das chuvas.
Os modelos apontam que a temperatura média global poderia cair até 4°C, comprometendo severamente a produção de alimentos devido à queda na fotossíntese em plantas terrestres e marinhas. Além disso, especialistas destacam o risco de tsunamis gigantescos, terremotos, ondas de choque e danos à camada de ozônio em caso de colisão com o oceano.
Mesmo diante de cenários catastróficos, a NASA reforça que não há ameaça imediata à Terra. O monitoramento constante de Bennu permite atualizar trajetórias e probabilidades, enquanto agências espaciais mantêm programas de defesa planetária para preparar eventuais respostas a riscos do tipo.
Msn.com
Como a matéria molda o universo: a gravidade segundo Einstein
No cotidiano, as pessoas costumam imaginar a gravidade como uma espécie de força invisível que puxa tudo para baixo. Um objeto cai, um copo escorrega da mesa e o corpo permanece preso ao chão. Durante muito tempo, essa imagem simples descreveu muitos fenômenos do dia a dia.
No entanto, ela não explicava em detalhes por que a massa gera gravidade. No início do século XX, Albert Einstein apresentou uma resposta diferente. Ele usou a Teoria da Relatividade Geral para mostrar que a gravidade não se resume a uma força. Em vez disso, ela corresponde à curvatura do próprio espaço e do próprio tempo.
Como a matéria molda o universo: a gravidade segundo Einstein © Portal Giro 10
Nesse novo quadro, massa e energia não permanecem apenas dentro do universo como objetos separados. Elas participam ativamente de sua estrutura. Em vez de imaginar o espaço como um palco vazio e rígido, a Relatividade Geral descreve um tecido espaço-tempo que se deforma na presença de objetos. Essa mudança de perspectiva abriu caminho para várias previsões confirmadas em observações e experimentos. Entre elas, destaca-se o famoso eclipse de Sobral, em 1919, que consolidou a nova teoria da gravitação perante a comunidade científica.
O que significa dizer que a massa curva o espaço-tempo?
Para entender por que a massa gera gravidade na Relatividade Geral, vale abandonar por um momento a ideia de uma força que age à distância. Em vez disso, imagine o universo como um tecido flexível. Nesse cenário, a presença de um corpo massivo, como um planeta ou uma estrela, altera a forma desse tecido. Assim, o espaço-tempo ao redor do objeto deixa de parecer plano. Em vez de linhas retas, surgem trajetórias curvas que guiam o movimento de tudo o que passa por ali.
Na prática, isso significa que massa e energia dizem ao espaço-tempo como se curvar. Em resposta, essa curvatura indica às partículas, aos planetas e até à luz qual caminho seguir. O processo não envolve um empurrão ou um puxão no sentido tradicional. Ele resulta simplesmente do movimento em um ambiente deformado. Portanto, a gravidade, segundo Einstein, representa a manifestação direta da geometria do universo. Assim, a teoria substitui a ideia de força misteriosa por uma descrição geométrica precisa.
Essa abordagem também reúne massa e energia em um mesmo quadro conceitual. Ela faz isso por meio da famosa relação entre as duas grandezas. Mesmo sem recorrer a equações, podemos destacar a ideia central: qualquer forma de energia contribui para moldar o espaço-tempo. Isso inclui a luz, o movimento de partículas e até campos de radiação. Portanto, cientistas falam não apenas em gravidade da massa, mas também em gravidade da energia. Desse modo, o conceito se amplia para além da matéria visível e incorpora formas invisíveis de energia, como a chamada energia escura.
Como a analogia da bola de boliche em um lençol ajuda a visualizar a gravidade?
Muitas explicações da gravidade na Relatividade Geral usam a imagem de um lençol elástico esticado. Esse lençol representa o espaço-tempo. Quando alguém coloca uma bola de boliche sobre esse lençol, forma-se um afundamento ao redor dela. Em seguida, se pequenas bolinhas deslizam próximas da bola maior, elas passam a descrever órbitas ou espirais em direção à bola de boliche. Elas não seguem esse caminho porque um fio invisível as puxa. Em vez disso, elas se movem assim porque o lençol deixou de permanecer plano.
Nessa analogia, a bola de boliche representa um corpo massivo, como o Sol. As bolinhas menores correspondem aos planetas. O que chamamos de gravidade surge, então, como o resultado do movimento em um espaço deformado. As trajetórias curvas se tornam apenas o caminho natural dentro dessa nova geometria. Desse modo, a Relatividade Geral descreve o modo como a Terra gira ao redor do Sol. Ela mostra que o planeta segue a curvatura do espaço-tempo criada pela massa solar. Além disso, a mesma lógica explica órbitas de satélites artificiais e até o comportamento de sondas espaciais.
A analogia, porém, apresenta limites claros. No caso do lençol, a gravidade da Terra puxa tudo para baixo e provoca o afundamento. No espaço real, não existe essa gravidade extra apoiando o modelo. Além disso, o universo não se reduz a uma superfície. Ele possui três dimensões espaciais mais o tempo. Ainda assim, esse modelo visual ajuda bastante a tornar mais acessível a ideia central. Em resumo, objetos massivos deformam o espaço-tempo, e essa deformação orienta o movimento de outros corpos. Com isso, a analogia serve como um primeiro passo para compreender conceitos mais avançados, como buracos negros e ondas gravitacionais.
Por que a luz também sofre com a gravidade?
Uma das previsões mais marcantes da Relatividade Geral afirma que até a luz segue as curvas do espaço-tempo. Embora a luz não possua massa de repouso, ela carrega energia e momento. Se a gravidade atuasse apenas como uma força sobre objetos com massa, esperaríamos que a luz continuasse em linha reta, sem qualquer desvio. No entanto, se a gravidade corresponde à geometria do universo, qualquer coisa que se desloque deve acompanhar essas curvas. Isso inclui a radiação luminosa.
Essa previsão levou cientistas a planejar testes observacionais muito cuidadosos. Um deles ocorreu durante o eclipse de Sobral, em 29 de maio de 1919, no interior do Ceará. Na ocasião, astrônomos brasileiros e estrangeiros mediram a posição aparente de estrelas próximas ao Sol durante o eclipse total. Com o disco solar encoberto pela Lua, tornou-se possível registrar a luz dessas estrelas passando perto do Sol. Em dias comuns, o brilho solar ofusca completamente essas estrelas.
Os pesquisadores compararam as posições medidas no eclipse com as posições habituais dessas mesmas estrelas. Eles observaram um pequeno desvio nas direções da luz. Esse desvio coincidiu com a quantidade que a Relatividade Geral previa. Assim, a luz se encurvou ao passar pela região em que o espaço-tempo se encontra mais deformado pela massa solar. Esse resultado forneceu uma comprovação observacional importante. Ele mostrou que a gravidade descrita por Einstein também afeta a trajetória da luz. Hoje, astrônomos repetem testes semelhantes com equipamentos muito mais precisos, como telescópios espaciais e radiotelescópios.
Como a relação entre massa, energia e curvatura organiza o cosmos?
A gravidade na Teoria da Relatividade Geral não se limita a escalas locais, como a queda de corpos ou as órbitas dos planetas. Ela também participa da estrutura em grande escala do universo. Galáxias se formam, se agrupam e se movem em função da distribuição de massa e energia no cosmo. Essa distribuição define regiões de maior ou menor curvatura do espaço-tempo. Como consequência, a gravidade influencia a evolução cósmica desde o Big Bang até o futuro distante.
De forma simplificada, podemos pensar que:
- · Massa e energia criam e modificam continuamente a curvatura do espaço-tempo.
- · Curvatura determina as trajetórias naturais de corpos e da luz ao longo do tempo.
- · Movimentos observados refletem essa interação constante entre conteúdo material e geometria.
Observações modernas reforçam essa visão geométrica da gravidade. Um exemplo importante envolve o estudo de lentes gravitacionais. Nesses casos, galáxias distantes parecem distorcidas pela ação gravitacional de outras galáxias que ficam entre elas e a Terra. A luz se curva ao atravessar regiões de espaço-tempo intensamente deformadas. Assim, surgem imagens múltiplas ou alongadas de objetos remotos, em plena concordância com a Relatividade Geral. Além disso, detectores de ondas gravitacionais, como LIGO e Virgo, registram vibrações do próprio espaço-tempo geradas por eventos extremos, como fusões de buracos negros.
Msn.com
Uma simples extensão da relatividade geral explica o nascimento do Universo
E se o Big Bang não tivesse começado com uma singularidade? Esse ponto de densidade infinita, tão debatido entre os físicos, poderia ter sido evitado. Uma nova abordagem da gravidade quântica propõe que o Universo poderia ter surgido sem esse conceito problemático, simplesmente modificando a teoria de Einstein .
Essa ideia sugere que a própria gravidade, em energias extremas, poderia ter desencadeado a expansão inicial do cosmos sem a necessidade de adicionar quaisquer outros elementos.
A teoria da relatividade geral de Einstein funciona notavelmente bem na maioria das situações, mas prevê singularidades no momento do Big Bang e dentro de buracos negros. Esses pontos, onde a densidade e a temperatura se tornam infinitas, são um sinal de que a teoria está sendo levada além de seus limites. Para lidar com isso, físicos da Universidade de Waterloo e do Instituto Perimeter exploraram uma extensão chamada gravidade quântica quadrática.
Essa nova teoria apresenta um desempenho notável em energias altíssimas, ao contrário da relatividade geral. Ela propõe que a inflação primordial, essa fase de rápida expansão do Universo, pode ser uma consequência direta da própria gravidade, sem a necessidade de um campo hipotético.
O modelo resultante se ajusta muito bem aos dados atuais, às vezes melhor do que os modelos clássicos de inflação. O que surpreendeu a equipe foi a naturalidade com que uma fase inflacionária emergiu assim que a teoria foi processada dentro de uma estrutura coerente. Isso muda nossa visão do Universo primordial: em vez de adicionar elementos à gravidade, ele já contém os ingredientes necessários.
Para testar essa ideia, os cientistas estão se baseando em ondas gravitacionais primordiais e na radiação cósmica de fundo em micro-ondas, o brilho fossilizado do início do Universo. Se observações futuras detectarem padrões específicos nesses sinais, isso poderá confirmar que a gravidade quântica quadrática está no caminho certo. A equipe planeja refinar suas previsões e compará-las com os dados futuros.
Esta pesquisa, publicada na Physical Review Letters , abre um novo e promissor caminho para a compreensão dos primeiros momentos do nosso universo sem recorrer a singularidades infinitas. O próximo passo será distinguir esse modelo das teorias de inflação mais clássicas por meio de observações precisas.
Techno-science.net
Repleto de estrelas
A M82, também conhecida como Galáxia do Charuto, está localizada a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância, na Ursa Maior. É um exemplo clássico de galáxia starburst — uma galáxia que produz estrelas recém-nascidas a uma taxa prodigiosa. Suas mortes explosivas impulsionam filamentos de gás hidrogênio acima e abaixo do disco, formando os filamentos avermelhados em Hα vistos acima. O instrumento coletou 56,8 horas de dados em filtros HαLRGB com um telescópio de 12 polegadas f/3.3.
Astronomy.com
O tempo passou mais devagar logo após o Big Bang?
Não podemos medir a desaceleração do tempo perto do Big Bang porque não existe um "relógio cósmico" fora desse evento com o qual possamos comparar.
Logo após o Big Bang, o universo era composto de plasma denso, como imaginado aqui, com as partículas em seu interior movendo-se a quase a velocidade da luz. Crédito: Andrii, gerado com IA/ADOBE STOCK
Considerando que o universo era muito pequeno logo após o Big Bang, mas continha a mesma quantidade de matéria que agora, será que a intensa gravidade teria retardado a passagem do tempo? Roger Reed Pierre, Dakota do Sul
Pouco tempo depois do Big Bang, a densidade do universo era maior que a do interior de uma estrela de nêutrons… maior que a densidade da matéria nuclear… maior que em qualquer lugar do espaço.
Sabemos que as estrelas de nêutrons são tão densas — elas comprimem aproximadamente o dobro da massa do Sol em um objeto do tamanho de uma pequena cidade — que sua massa começa a distorcer severamente o espaço-tempo local ao seu redor. Isso causa um efeito de dilatação do tempo, de modo que o tempo passa 1,9 vezes mais lentamente perto da estrela de nêutrons do que para nós.
O único relógio que você pode realmente usar para medir o que está acontecendo é o relógio que você carrega consigo. Ele marca o que é chamado de tempo próprio enquanto você se move ao longo da sua linha temporal — o caminho que você traça no universo enquanto o atravessa, vivendo sua vida. Se você viajasse próximo à velocidade da luz até Alpha (α) Centauri, você poderia literalmente chegar lá em segundos, de acordo com o seu relógio de tempo próprio, enquanto observadores na Terra veriam 4,3 anos se passarem. Da mesma forma, o fator de dilatação temporal de 1,9 das estrelas de nêutrons só é mensurável em relação a relógios distantes localizados onde o espaço-tempo não é distorcido e a gravidade é fraca, como na Terra.
Mas não existe um lugar tão distante para o Big Bang. Logo após o Big Bang, todo o universo estava repleto de um plasma denso e cada partícula dentro dele viajava a quase a velocidade da luz. Cada partícula media seu próprio tempo enquanto se movia ao longo de sua tortuosa linha do tempo através da confusão do evento do Big Bang. Dentro do pequeno, quente e denso universo, não havia um relógio externo e distante, fora dessas condições, contra o qual medir a dilatação do tempo experimentada por todas essas partículas em um dado instante próprio.
Vamos relembrar nossa estrela de nêutrons: se você tiver dois relógios próximos, ambos no campo gravitacional da estrela de nêutrons, um observador com um relógio veria um observador com o outro relógio experimentar um efeito de dilatação temporal severo, porém diferente, porque eles estão localizados em diferentes partes do campo gravitacional da estrela de nêutrons e viajando a velocidades diferentes.
Próximo ao Big Bang, a intensidade do campo gravitacional causa um “efeito diferencial” semelhante, mas sua magnitude é vastamente maior e muda tão rapidamente no tempo que é impossível medir a dilatação temporal diferencial experimentada entre partículas que carregam seus próprios relógios biológicos.
Portanto, a resposta para a pergunta é que não podemos medir a desaceleração do tempo perto do Big Bang porque não existe um "relógio cósmico" fora deste plasma denso com o qual possamos comparar tais diferenças. O tempo próprio é apenas o que medimos em nosso próprio relógio, seja um relógio que temos aqui na Terra, para o qual o Big Bang ocorreu há 13,8 bilhões de anos, ou o relógio de uma partícula logo após o Big Bang, para o qual se passaram apenas 10 a 15 segundos.
Sten Odenwald, Coordenador Sênior de Divulgação do Programa HEAT da NASA, Kensington, Maryland
Astronomy.com




